matar o futebol

violencia_futebol_claque«Sejamos claros: a violência no futebol culmina nos estádios, mas concebe-se fora do campo. Nos clubes grandes (sem excepção), através do discurso crispado dos seus dirigentes, que não medem as palavras nem olham a meios para atacar os adversários – acusações, insinuações, insultos, ataques pessoais, processos, todas as semanas há um novo episódio. Nos programas de comentário desportivo, cujos intervenientes incendeiam os debates usando de uma agressividade verbal que em mais nenhum contexto se aceita na televisão portuguesa. Na comunicação social, que adora picardias, polémicas e ajustes de contas – nada melhor para vender jornais ou somar espectadores do que exibição de ânimos exaltados. E nas instituições que gerem o futebol português, enfraquecidas, passivas, permissivas, e incapazes de impor as regras.

Anda tudo indignado com o culto de ódio das claques mas, no final de contas, quem emite os comunicados a censurar as suas manifestações de violência é, na prática, quem as financia e mais incentiva. Está-se a matar o futebol. E estamos, assim, a regressar a um passado que já tínhamos por distante, no qual assistir a um dérbi no estádio correspondia a uma actividade de risco. Não é destino ou fatalismo cultural do sul europeu, é uma escolha consciente. Há cerca de vinte anos, em Inglaterra, perseguiram-se as claques, expulsaram-se os desordeiros dos estádios, reforçou-se a autoridade das instituições, castigaram-se os clubes coniventes com abusos, impôs-se uma mordaça às sucessivas críticas à arbitragem, travaram-se os excessos dos dirigentes. O que se salvou? O futebol. Por cá, só não se faz igual se não se quiser.» (daqui)

coligação de centro-direita: sim ou não?

(publicado originalmente na página Almeirim 2017)

Depois de se saber que existiram conversas entre as concelhias do PSD e do CDS-PP para a eventual formação de uma coligação, coloca-se aquela questão recorrente: fará sentido uma coligação de centro-direita concorrente às eleições autárquicas no concelho de Almeirim?

Se um projecto de coligação pode fazer sentido para Portugal, a nível local a apreciação não é assim tão linear. Almeirim é um município que vota à esquerda. De todas os actos eleitorais aqui realizados, o PS ou as candidaturas alinhadas à esquerda saíram sempre vencedores. Com as excepções das vitórias do PSD, em legislativas, quando Cavaco Silva foi candidato a primeiro-ministro ou na última eleição presidenciais. Isto é, o centro-direita apenas foi vencedor em Almeirim quando protagonizou uma candidatura alternativa, baseada num projecto credível.

Não sendo impossível uma vitória de uma candidatura à direita do PS, até porque não existem impossíveis, um bom resultado eleitoral torna-se mais difícil de obter quando os partidos entram numa longa hibernação após uma derrota. Sendo Almeirim um concelho sociologicamente virado à esquerda, onde o Partido Socialista construiu, ao longo dos anos, uma rede de influências nas mais diversas áreas da sociedade, se não houver, ao longo do tempo, um trabalho de oposição sério e credível, que passe a mensagem aos eleitores de que existe uma alternativa, a constituição de uma qualquer coligação dos partidos à direita, a pouco menos de seis meses das eleições autárquicas está, à partida, condenada à derrota.

Sejamos honestos! Uma candidatura autárquica que pretende ser alternativa à que se encontra no poder não pode, pura e simplesmente, dissolver-se após o acto eleitoral e aparecer quatro anos depois como se nada tivesse acontecido. Os eleitores podem estar desinteressados com a política, podem não comparecer às reuniões camarárias e às sessões das assembleias, mas estão atentos a estes pequenos (grandes) pormenores.

As concelhias do PSD e do CDS-PP até podem decidir que os seus partidos concorrem juntos nas próximas autárquicas. Mas devem fazê-lo numa perspectiva de médio/longo prazo, com um projecto alternativo e credível à actual governação do PS, pois só assim conseguirão alcançar frutos. Se concorrerem tendo apenas como horizonte este acto eleitoral então, para gáudio da actual maioria, irá continuar tudo na mesma.

Post Scriptum: Depois de ter redigido o presente texto e enviado para publicação, chegou ao meu conhecimento de que o PSD e o CDS-PP vão concorrer, às eleições autárquicas, em listas separadas. De qualquer das formas, este facto não invalida a minha opinião formulada no texto.

nossa culpa

helena-garrido«A economia é por definição escolher entre alternativas, num ambiente de recursos escassos. Nunca há almoços grátis, há sempre alguém a pagar. O que os políticos em geral fazem é adiar custos ou distribuir a factura pelos mais fracos ou sem poder de pressão. É a isto que temos assistido no país, proveitos generosos para alguns com custos para o povo em geral ou para pequenos grupos sem poder. Assim foi com as estradas desnecessárias, a política energética, a banca, as pensões e agora de novo com o arrendamento. A iliteracia financeira e uma sociedade infantilizada e que se auto-desresponsabiliza têm sido dois dos grandes aliados para a falta de qualidade das nossas políticas públicas.

O que se passou em Torremolinos com os estudantes em viagem de finalistas e, especialmente, a reacção de alguns pais expôs de forma dramática a hierarquia de valores de parte da sociedade portuguesa. A destruição tem como culpado o hotel e os pais consideram normal entregar os filhos para uma viagem com bar aberto a partir das 11 da manhã. É a desresponsabilização levada ao seu extremo, com os próprios filhos, e que exemplifica a atitude que temos tido em relação à dívida e aos ditos “direitos” ao salário, aos subsídios, às pensões, enfim a tudo, até a ter uma casa com a renda que se pode pagar no sítio favorito.» (daqui)

a próxima bomba

Montepio-Geral«Como gato escaldado da água fria tem medo, e todos estamos cansados de declarações de “tranquilidade” nas vésperas das várias crises bancárias, as quais já mobilizaram – contas do Banco de Portugal – 13 mil milhões de euros de dinheiros públicos, só podemos olhar com inquietação, mas mesmo muita inquietação, para as notícias sobre uma possível entrada da Santa Casa da Misericórdia para reforçar os capitais da Caixa Económica Montepio Geral. Como é possível? Que riscos é que isso envolve? E que sentido faz, para além de ser um remendo? Faz uma tal operação parte da missão da Santa Casa?

Quando se chega a este ponto é porque a aflição é grande. E as saídas poucas. Antes do colapso do Grupo Espírito Santo, Ricardo Salgado tentou convencer o governo de então a permitir uma “ajuda” da Caixa Geral de Depósitos. Passos Coelho disse que não. E essa foi seguramente uma das decisões mais importantes e mais positivas do seu mandato – basta imaginar a dimensão do buraco para que a Caixa poderia ter sido arrastada.

Será que agora está a acontecer o contrário e logo com a Santa Casa? Tenham medo, muito medo.» (daqui)

Cromos DuNando

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de 8 de Abril a 6 de Maio 2017
(segunda a sexta, 09:30 às 12:30 – 14:00 às 17:00; sábados 10:00 às 13:00)

A exposição Cromos DuNando é um conjunto de cartoons digitais divulgados nas redes sociais. São, por assim dizer, sínteses das personagens que, por uma ou outra razão, se cruzaram com o autor. Alguns destes cromos são fruto da interacção – ou da sugestão – dos amigos “facebookianos” a quem o autor convidou para redigir a legenda. Os amigos envolvidos, foram “selecionados” tendo em conta a “proximidade” com cada uma das personalidades.


DuNando, é um nickname. É usado pelo autor para assinar os cartoons [ou se preferirem, as caricaturas]. Foram executados com recurso a um programa de desenho para PC e são constituídos por um conjunto de polígonos [ou vetores coloridos] que se sobrepõem em vários planos.


FERNANDO VERÍSSIMO nasceu em Almeirim, em 1961.
Desenhador. Licenciado em Educação e Comunicação Multimédia [ESES]. Curso de Temas de Estética e Teorias de Arte Contemporânea (SNBA, Lisboa). Curso de Iniciação à serigrafia artística com António Inverno (CCRS). Desenvolve obra plástica, essencialmente na área da Pintura, fazendo abordagens também à escultura e à Cerâmica e, ultimamente na aplicação do desenho a produtos multimédia.