a lei de gresham

«A ser assim, a lei da economia, conhecida pela lei de Gresham, poderia ser transposta para a vida partidária portuguesa com o seguinte enunciado: os agentes políticos incompetentes afastam os competentes. Segundo a lei de Gresham a má moeda expulsa a boa moeda.»

ScreenShot222A 27 de Novembro de 2004, o actual Presidente da República assinava um artigo no Expresso, artigo esse que apressou a queda do governo liderado por Pedro Santana Lopes e a ascenção ao poder de José Sócrates.

É certo que aquele governo cometeu muitas gaffes, teve muitos casos mas dispunha do apoio parlamentar maioritário. Em condições normais, teria concluído a legislatura e, muito provavelmente, o PS não teria ganho as eleições legislativas (pelo menos, com maioria absoluta). Provavelmente, Sócrates nunca teria sido primeiro-ministro. Provavelmente, nunca teríamos ouvido falar de licenciaturas, de Freeport, de Cova da Beira, de Face Oculta. Provavelmente, Sócrates não estaria agora preso preventivamente. Provavelmente…

Mas a vida não é feita de “ses”. É construída com base em actos e em realidades. Por isso, e passados que são agora 10 anos da “lei de Gresham”, é caso para perguntar se a moeda que circulou a partir de 2005 era a boa moeda?

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os males da corrupção na economia

corrupção11Por norma, a linguagem usada por economistas tende a ser muito técnica e muito pouco entendível pelo cidadão comum. Mas existem sempre as excepções que confirmam a regra. “A economia do bem e do mal: a corrupção” é uma dessas excepções.

De forma clara, explica como a corrupção também pode ser vista e estudada por uma ciência “sem fazer julgamentos de valor”.

«Ao analisar a corrupção, a economia formaliza o problema como uma situação de ineficiência, em particular a criação de barreiras artificiais que geram limitações à concorrência e em casos extremos, monopólios, em benefício de um pequeno grupo de pessoas ou de empresas, com perdas para o resto da economia.

(…)

A primeira consequência da corrupção é o aumento dos custos de investimento, que toma a forma de uma taxa sobre o investimento paga directamente a um funcionário ou político.

(…)

A corrupção conduz também a uma má afectação de recursos materiais e humanos.

(…)

A corrupção afecta o investimento público, tanto na qualidade, como na sua composição, porque os funcionários e políticos corruptos incentivam os investimentos e oferecem os contratos que potencialmente lhes darão maiores rendas.

Finalmente, a corrupção torna mais desigual a distribuição dos rendimentos, porque os agentes com maior capacidade financeira ou melhores ligações ao poder e administração são também os mais beneficiados.»

“amigo dos clientes”

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«O modelo de gestão da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo é considerado pelos seus dirigentes como “o mais amigo dos clientes e o que melhor defende os interesses dos cidadãos”, pois considera a água como bem fundamental e está blindado estatutariamente à entrada de accionistas privados. Essa tese foi defendida pelos presidentes das Câmaras Municipais de Benavente, Carlos Coutinho (CDU), e de Almeirim, Pedro Ribeiro (PS), durante a Conferência Nacional da Água que decorreu a 18 e 19 de Novembro em Lisboa.» (daqui)

Quando a taxa de inflação prevista pelo Banco de Portugal para 2015 é de 1%, as Águas do Ribatejo vão aumentar a tarifa do saneamento básico para o próximo ano em 7,5%.

Isto é que é ser “amigo dos clientes”!

é o “libération”, não o “le figaro”

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«Um político “duvidoso”, “sempre borderline”, “sanguíneo, autoritário e de estilo cintilante à la Sarkosy”. É assim que o jornal francês “Libération” descreve José Sócrates, num artigo, publicado esta quinta-feira, sobre a detenção do ex-primeiro ministro português.» (daqui)

Se tivesse sido o “Le Figaro” a escrever estes epítetos, por certo que não faltariam críticas vindas dos acérrimos defensores do “engenheiro”.

“mas eu não sou juíz”

Subscrevo na íntegra:

«Claro que José Sócrates continua presumível inocente aos olhos da justiça, e assim continuará até ao trânsito em julgado da sentença. Claro que a presunção de inocência é pedra angular de uma democracia decente e de qualquer sistema judicial digno. Mas eu não sou juiz, nem polícia. Sou um cidadão e um colunista. E, enquanto tal, tenho todo o direito – repito: todo o direito – de presumir, face ao que leio nos jornais, às minhas deduções, às minhas convicções, à minha experiência, à minha memória e ao esgotamento de sete presunções de inocência, que Sócrates é culpado daquilo que o acusam. E tenho todo o direito de o escrever – pela simples razão de que as regras do espaço público não são as regras de um tribunal.» (daqui)