utopias

utopiaUma excelente reflexão sobre as utopias e os idealismos que, por cá, pela Europa e pelo Mundo, redundaram em fracassos.

De leitura obrigatória!

«Em Portugal não há volta a dar: temos de procurar viver com os nossos próprios meios, adaptarmos o nosso sistema económico e político a uma era que vai ser de menos expectativas e mais esforço. Pedirmos a outros para resolverem os nossos problemas (e as nossas dívidas) não é solução, antes pode tornar ainda mais difícil a outra solução, a europeia, pois essa terá de permitir alguma renacionalização de políticas.

(…)

E são tempos que recomendam serenidade e prudência. Tempos em que devemos desconfiar (ainda mais) dos exaltados e ter a humildade de ser, antes do mais, realistas. Não é (ainda) necessário prometer apenas sangue, suor e lágrimas, mas para evitar chegar a esse ponto é importante fugir dos amanhãs que cantam e das soluções fáceis, ter até cuidado com as “grandes visões” e as “grandes expectativas”. Ter os pés na terra é cada vez mais uma grande virtude.» (daqui)

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liberalismo ou embuste?

«Este uso indiscriminado de liberalismo não corresponde, como é óbvio, a um diagnóstico, mas a um embuste: as oposições tratam assim de impor uma identidade ideológica às operações de equilíbrio do Estado social e de estímulo da economia, de modo a fazer crer que são apenas um mero capricho doutrinário, sem qualquer outra razão de ser. Somos assim convidados a acreditar que o mundo é como é apenas porque os “liberais” mandam, e que portanto bastará afastar os “liberais” para que outro mundo — de abundância sem custos para ninguém — seja imediatamente possível. Não, isto não é um debate. É apenas demagogia e desonestidade.» (daqui)

dos “moradores suburbanos com fatos de alfaiates de segunda”

MassamNorte
Massamá Norte

«Só que esse país, por mais fotogénico que fosse, e de facto era e ainda é nas reportagens paternalistas que o New York Times nos dedica, coexiste com um Portugal suburbano, cheio de homens que vestem fatos de alfaiates de segunda para ir trabalhar. Alguns optam por uma ainda mais esteticamente dramática versão desportiva. As élites partidárias, culturais e mediáticas abominam este mundo que não fica bem nas fotografias, não aparece muito nas encíclicas e não encontra explicação em Marx. Das universidades onde se multiplicam os centros de estudos dirigidos por clones de Raquel Varela às sedes partidárias sejam elas de esquerda ou de direita, a dicotomia entre os muito pobres e os muito ricos justifica-lhes muito mais o seu pendor intervencionista.

Mas o país suburbano existe e é fundamental que os grandes partidos e os seus líderes democratizem a relação que têm com ele. Caso não o façam o desinteresse dessas pessoas será um dos terrenos em que crescerão os populismos que tornarão o país ingovernável. Os casos da França e da Espanha são um bom exemplo daquilo a que pode conduzir a clivagem entre os partidos democráticos e a realidade. Só que em Portugal não será sequer necessário que surjam uma Frente Nacional ou um Podemos para que acabemos num beco sem saída ou mais propriamente a acreditar que é possível regressar ao passado. PS e PSD têm mais do que quanto baste de gente que acredita que tal não só é possível como desejável.» (daqui)

sempre na defesa do interesse público (6)

tap«É claro que alguns alegam que não são interesses particulares que estão em jogo, mas sim a verdadeira defesa do interesse público – neste caso, a resistência à privatização da TAP. Desculpem, mas não é verdade. Primeiro, porque se a questão é a privatização, esse é um dossier político, a ser debatido pelos partidos políticos com o Governo, e não pelos pilotos. Segundo, porque nesta greve sempre estiveram em causa assuntos particulares, e não de interesse público.

Para o confirmar, basta consultar a irrealista lista de exigências dos sindicatos da TAP. E basta ver a razão que levou a que não se conseguisse acordo entre estes e o Governo: os pilotos querem uma fatia maior das acções da companhia, sem contrapartidas financeiras. Agora expliquem-me: de que modo é que a pretensão dos pilotos, que impediu o acordo entre sindicatos e Governo, é parte da defesa do interesse público?» (daqui)