ainda a situação na grécia e os perigos que daí advêm

grecia-euro«É perigoso na Grécia: que estabilidade, que articulação, que jogo político sério pode resultar de tão estranha e indigesta aliança governamental, olhada – temos de o repetir mil vezes, todos os dias, a toda a hora! – com tanta e tão amorosa complacência? Um casamento sulfúrico consumado num país à beira de todos os abismos – e lembremos que um dos abismos é dentro de pouco tempo a Grécia não dispor de liquidez para que o Estado assuma as suas funções. E outro é a falta de estrutura, raiz, substância, experiência, conhecimento, passado, regras, do Syriza.

É também perigoso na União Europeia pelo trabalho (de renda ou de aço?) que vai exigir nas negociações económicas entre Bruxelas/Berlim/Atenas, tanto mais que o tom usado desde domingo pelo novo ministro grego das Finanças (ainda não lhe decorei o nome, lá chegará), é exclusivamente o preto e o branco: a Grécia ficará com os brancos perdões, os “outros”, quaisquer que sejam, com o pagamento das negras contas.

É perigoso para o euro, claro, e para a sua viabilidade e o seu futuro (como estará a Grécia face á moeda unica daqui seis, oito meses? Mantém-se no clube, está em vias de sair, já saiu?).

É ainda perigoso pelas implicações que qualquer decisão comunitária fatalmente terá no difícil equilíbrio entre os Estados membros, face às extremadas pretensões gregas, e seja num sentido ou noutro, ou mesmo num “meio caminho”. E é sobretudo perigoso porque subitamente há um parceiro político do qual quase tudo se ignora (a não ser o seu bom coração face ao sofrimento do povo grego), mas que já sinalizou ter pontos cardeais que podem desnortear – ou vir a pulverizar – as coordenadas políticas que a Europa conhece desde há décadas e “normalmente” usa e pratica.» (daqui)