por qué no se callan?

9789724041971«Ambos os códigos [Código Penal e Código do Processo Penal], portanto, têm sido os mesmos nas últimas décadas: um vai para 33 anos, outro para 25.

(…)

De estranhar, por isso, verem-se figuras gradas da democracia, que participaram na elaboração, aprovação e publicação dos ditos códigos, bramir contra as leis que eles próprios fizeram. Apodam-nas de medievais. Dizem terem regras que violam direitos humanos. Que autorizam desmandos insustentáveis como prisões preventivas prévias a acusações! A sério? Mas é assim há 25 anos para toda a gente!

Para já não falar dos que criticam um quadro legal que já não existe. São aqueles que pararam nos tempos do Código de Processo de 1929… Terão elaborado, aprovado ou promulgado os códigos, pelos vistos, sem os lerem. Fica-lhes bem! E ficamos cientes!» (daqui)

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reputação e confiança

Paulo Ferreira«Foi isso que aconteceu com Portugal e Espanha. Com a Irlanda também, embora com características diferentes – dívida sobretudo concentrada na banca, que financiou imobiliário dentro e fora do país. E, claro, com a Grécia, que beneficou da complacência europeia logo no momento da entrada, quando todos fecharam os olhos à manipulação das estatísticas que lhe deram acesso à moeda única.

Todos tomámos emprestada a reputação e a credibilidade económica e financeira de países como a Alemanha, a Holanda ou a Áustria, beneficiámos delas enquanto pudemos, mas não soubemos estar à altura delas. A crise da dívida que se desenhou há meia dúzia de anos foi apenas o balão que rebentou na cara dos que abusaram dessa reputação emprestada. E se a reputação é um bem precioso na vida, na economia ela vale milhares de milhões.

O que está em causa na batalha que agora se inicia tem sobretudo a ver com reputação e com a confiança que depositamos naqueles a quem damos o aval.

O problema da Grécia é que já mostrou por várias vezes não estar à altura dessa confiança. Porque mentiu nas estatísticas repetidamente, porque as suas elites não cuidaram devidamente do seu Estado e da sua economia, porque recebeu um primeiro empréstimo da troika de 110 mil milhões que afinal não foi suficiente, porque há três anos já teve um perdão de cerca de metade da sua dívida, porque o segundo empréstimo de 130 mil milhões também não está a ser suficiente, porque pelo meio os termos desses empréstimos já foram revistos em condições muito mais vantajosas para o país.» (daqui)