o ps e o pasok

Partido-Socialista«O grande receio de António Costa, porém, é acabar como o PASOK. Nas várias eleições gregas desde 2009, o PASOK caiu de 43,92% dos votos para 4,68%. Segundo António Costa, isso aconteceu porque o PASOK aderiu à austeridade e se aliou à direita. Ora bem, quando queremos tirar lições da história, convém termos a história certa. António Costa não tem.

Em Outubro de 2009, o PASOK ganhou as eleições com maioria absoluta pelo truque de ignorar os sinais da iminente bancarrota da Grécia. O PASOK recusou a austeridade e as reformas, e prometeu, em vez disso, injectar 3 biliões na economia. Ia ser tudo alívios e facilidades. Meses depois, estava a pedir ajuda à UE e ao FMI. Nem então, porém, o PASOK deu a mão à austeridade. Ao mesmo tempo que assinava memorandos, Papandreou inventava maneiras de os contornar, como o célebre referendo no fim de 2011. Entretanto, divisões e cisões destruíam a maioria do PASOK e impuseram um governo interino e eleições antecipadas. Foi nestas eleições, em Maio de 2012, ainda sem qualquer aliança com a direita (porque a participação no governo interino não resultou de uma aliança), que o PASOK sofreu o colapso histórica (13% dos votos) que determinou o resto da história. Depois, já foi só um resto do partido que finalmente alinhou com a Nova Democracia (mas mesmo assim, ao princípio, sem os seus líderes no governo).

O PASOK não desapareceu pelas razões que Costa imagina, mas pelas razões contrárias: pela incapacidade de 2000px-PASOK_logo_2012.svgprotagonizar o ajustamento e a reforma da Grécia, e pela preferência por quimeras e malabarismos que, como era previsível, acabaram por o desacreditar totalmente.

O PS ainda não é o PASOK por sorte. Em 2009, também venceu umas eleições a negar a “austeridade”, para depois andar de PEC em PEC. Em 2011, deixou um país arruinado, mas teve a sorte de haver uma coligação de direita que, com mais ou menos dificuldade, executou o bastante do memorando para equilibrar as contas. O PS, dispensado de ajudar, pôde fazer de cigarra da anti-austeridade, ajudado ainda pelo modo como o velho PCP e a velhinha UDP (sob o pseudónimo de BE) bloqueiam o desenvolvimento de “Syrizas” ou de “Podemos”. Mas não é difícil imaginar o PS transformado num PASOK. Basta-lhe ir às eleições de 2015 com o programa do PASOK de 2009 ou o do Syriza.» (daqui)

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