ideologia e pragmatismo

antonio_costa2«Em todo o caso agradece-se que Costa nos informe que, para si, antes da ideologia está o pragmatismo. Deve ser por isso que fez parte dos governos que mais privatizaram (os de Guterres) e que agora tenha discurso semelhante ao do PCP nesta matéria e provavelmente vá apoiar o candidato presidencial Sampaio da Nóvoa, que vê carinhosamente uma banca nacionalizada. Ou que tenha apoiado João Cravinho quando ofereceu uma porção da TAP aos pilotos, apoiado Sócrates quando defendeu a privatização e agora fale da TAP como se houvesse solução além de a vender ou de a deixar morrer de morte lenta. (Aí, sim, a TAP morreria de ideologia – a socialista.)

Mas regresso à ideologia. Para Costa, o pregão arrepiante que tentou colar nas últimas semanas – o de ‘estado empreendedor’ – não é ideológico; a ideologia, aparentemente, só contagia pessoas de direita. À esquerda a política é imune a preconceitos; a direita endiabrada já devia saber que o padrão é o socialismo. Curioso. Defender um estado concorrente desleal das empresas (pelos meios mais abundantes que tem, por ser o legislador e o regulador), sufocando a iniciativa privada e criando empresas cujo objetivo é agradar à tutela em vez de aos clientes, para mim é o paradigma de ‘preconceito ideológico’. Preconceito, de resto, mais de colheita PCP do que do PS de Guterres e até de Sócrates.» (daqui)

um programa eleitoral

josé manuel fernandes«Um programa deste tipo não é totalmente estranho ao que já está a ser feito, um passo aqui, outro além, em países como o Reino Unido, a Holanda, a Dinamarca, a Suécia, mesmo a Alemanha ou a Suíça. Não é uma utopia, é uma necessidade e, ele sim, exige uma visão sobre o que será o nosso futuro, para onde caminhamos. Uma visão para a próxima década e para as seguintes.

Eu não quero que os políticos me digam que a sua visão é, por exemplo, a de um país mais qualificado – quero que os cidadãos sigam por esse caminho porque têm os incentivos certos.

Eu não quero que os políticos me digam que a aposta tem de ser nas empresas de tecnologia e criem para isso novos subsídios (esse eufemismo para “rendas”) – quero que as empresas, habituadas à concorrência, escolham o seu caminho, que tanto pode ser a produzirem ostras como reinventarem uma indústria como a têxtil.

Eu não quero que a obsessão pela igualdade acabe na limitação da liberdade de procurar ter sucesso – quero sim que essa liberdade venha com mais responsabilidade e que o Estado se ocupe mais e melhor dos que realmente necessitam em vez de tremer como varas verdes perante a mais pequena gritaria de um grupo de “reformados VIP”.

Eu não quero um Estado que cobra impostos sobre tudo o que se move; que quando isso não chega para paralisar a actividade e limitar a ambição e a inventividade, cria logo novos regulamentos; que, quando finalmente tem tudo controlado, passa a subsidiar o que não funciona; e que acaba sempre falido, pois essa é a fatalidade de quem tudo quer controlar.» (daqui)

o autocarro

Raautocarroramente escrevo sobre Almeirim neste blogue. Mas, depois de ter lido esta notícia, não posso deixar de não o fazer!

Em primeiro lugar, o que vem descrito na notícia de “O Mirante” revela a forma como se confundem maiorias absolutas com poder absoluto e a promiscuidade entre o poder político e aqueles que lhe são próximos, desenvolvida através duma teia de conhecimentos e de contactos que foi aumentando ao longo de mais de duas décadas de maiorias absolutas.

Depois, a forma displicente como é tratado o património municipal e, principalmente, o erário público. Um autocarro deste (ou de qualquer outro) município deve ser usado pelas «instituições de solidariedade, escolas da responsabilidade da autarquia e a colectividades, para diversas iniciativas que se realizam no concelho e fora deste.». Nunca deve ser usado por um particular e, muito menos, por um particulares com interesses comerciais! Não é, pois, de estranhar que algumas colectividades vissem negado a utilização do autocarro…

Por último, acho curioso (para não dizer estranho) que o actual presidente do município não tivesse conhecimento desta situação. Convém não esquecer que foi, durante vários mandatos, vereador e vice-presidente e mesmo que não soubesse de fonte oficial (presidente ou colegas vereadores com responsabilidade na gestão do autocarro), este assunto era comentado “à boca pequena” na nossa cidade. Até porque, sendo uma prática com 20 anos, é completamente impossível mantê-la em segredo.