o egoísmo da oligarquia grega

Bandeiras dos Paises«O poder político na Grécia é um poder fundamentalmente deficitário, tolerante da evasão fiscal e das posições de renda, e que só foi viável até agora através da sua dependência da Europa. Não é uma herança levantina: é o que se desenvolveu na Grécia graças aos subsídios de Bruxelas e ao crédito barato do euro, e que ainda se mantém com os empréstimos dos seus parceiros europeus e do BCE.

A ironia desta história é que a Europa esperou mudar a Grécia, e mudou-a para pior, ao poupar os seus oligarcas à pressão mais efectiva, que não é aquela que consiste em sermões europeus, mas a que provém de contribuintes cansados, credores sem confiança, e empresários e trabalhadores frustrados. As propostas europeias das últimas semanas têm consistido em reformas graduais em troca de liquidez. O Syriza não pode aceitar. Por razões ideológicas? Sim, mas também pelas mesmas razões por que Samaras e Papandreou resistiram a propostas idênticas: porque receia perder poder, isto é, decepcionar aqueles a quem tem servido e enfrentar aqueles a quem mentiu. A oligarquia grega invoca as dificuldades sociais, a soberania nacional ou a democracia. São apenas véus para disfarçar a nudez do seu egoísmo.» (daqui)

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