uma certa magnanimidade

Dizem que os vencedores devem ser sempre magnânimos. Este caso não foge à regra. E se, apesar de não existirem derrotados (apenas uma lista se apresentou ao sufrágio), houve uma larga maioria de militantes que decidiu não participar no acto eleitoral. Por desinteresse generalizado na política e, também, por não considerar ser esta, pelas mais variadíssimas razões a melhor solução. A minha opinião sobre esta candidatura já é sobejamente conhecida, pelo que não a irei repetir.

Por isso, o actual Presidente do PSD/Almeirim deveria ter mais cuidado nas declarações que profere, porquanto elas podem promover um ainda maior afastamento por parte dos militantes face à actual direcção. Em declarações ao jornal “O Almeirinense” publicadas na edição de 01.07.2015, o actual Presidente do PSD/Almeirim afirma que «(…) há três anos atrás fui desafiado a candidatar-me à liderança do partido e a minha ficha de militante foi escondida para evitar o que se está aqui a passar hoje.».

Apesar de ter deixado de exercer funções executivas e de direcção na estrutura concelhia do PSD logo após as eleições autárquicas de 2009, conheço os anteriores dirigentes que, para além de serem companheiros de partido são, também, meus amigos! Pelo que não posso deixar passar em branco estas palavras.

Em primeiro lugar por que face à grave acusação, o jornal que as publicou deveria ter promovido o contraditório e não o fez! Em segundo lugar, por que não acredito que, quem quer que dirija uma estrutura partidária não pretenda aumentar o número de militantes. Principalmente em concelhias como a de Almeirim, onde todos são poucos! Depois, por que não acredito que os anteriores dirigentes do PSD/Almeirim usem os métodos que criticaram àqueles que, em tempos, se queriam eternizar na liderança.

Como se estas razões não bastassem, há qualquer coisa de contraditório entre aquela afirmação e esta «(…) do qual sempre fui militante e do qual sempre me identifiquei ideoligamente». Ora, se sempre foi militante, por que razão entregou uma ficha de militante? Entregar uma ficha de militante significa inscrever-se no partido ou proceder a alguma alteração face à inscrição existente. Se exceptuarmos esta última situação, não existem razões para que tivesse entregue uma ficha de militante, uma vez que nunca deixou de o ser.

Criar este tipo de confusões numa estrutura onde a militância é reduzida é estar a restringir, ainda mais, a participação de militantes. Pelo que conheço, e apesar da minha posição face à sua candidatura, o actual Presidente do PSD/Almeirim é uma pessoa ponderada e sensata, que tudo fará para evitar quezílias desnecessárias e promover a dinamização da estrutura, pelo que aquela afirmação só poderá ser entendida no contexto  em que foi proferida (final dum acto eleitoral, com alguma excitação e emoção à mistura).

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Post Scriptum: o título da notícia de “O Almeirinense”, «Nuno Fazenda revela boicote no PSD Almeirim», é claramente excessivo. Como atrás já tinha escrito, não houve qualquer contraditório na elaboração desta notícia. O jornalista limitou-se a dar como certa a versão do actual Presidente do PSD Almeirim, sem ter o cuidado de ouvir o que os anteriores dirigentes tinham a dizer sobre este assunto.

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Um pensamento sobre “uma certa magnanimidade

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