não existe só a democracia grega

Rui-Ramos-300x300«Nos últimos meses, temos todos andado distraídos com a progressão dos festivais de esquerda radical no sul da Europa. É o Podemos em Espanha, é o Syriza na Grécia, é ainda o que se está para ver, mas que começa a demorar, em Portugal. Nesse ambiente de arraial, temo-nos esquecido de que noutros países, mais a norte, também tem havido progressão, não tanto da esquerda radical, mas de populismos nacionalistas ou de eurocepticismos conservadores, para os quais os abusos fiscais do governo grego, mais uma vez sufragado pelo voto dos gregos, não são propriamente a melhor publicidade para a causa europeísta.  

A esse respeito, o sinal que ontem mais nos devia ter importado foi a reacção da social-democracia alemã ao referendo grego. Na Alemanha, os sociais-democratas, tal como os democrata cristãos, sabem que o subsídio permanente a uma Grécia governada pela irresponsabilidade fiscal acabará, mais tarde ou mais cedo, por ter de sair das cimeiras governamentais para se tornar um tema de debates no parlamento, ou mesmo de consultas populares. Ora, quem é que deseja fazer campanha na Alemanha, na Finlândia ou até em Portugal pedindo aos eleitores mais dinheiro para a Grécia? E ainda por cima, sem nada para contrabalançar a dádiva, a não ser a decisão do governo e do eleitorado grego de rejeitarem todas as mudanças necessárias para deixarem de depender da Europa?» (daqui)