livros que vou lendo (15)

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“O Leopardo”, de Giuseppe Tomasi de Lampedusa

Sinopse:

«O Leopardo é um dos clássicos do romance do século XX, imortalizado no cinema por Luchino Visconti.
O romance passa-se na Sicília, na época da reunificação italiana, quando os ventos de uma nova ordem, que arrastam consigo as incertezas e os temores que qualquer revolução sempre implica, atingem a Sicília vindo perturbar um sistema há séculos imutável.
Don Fabrizio, príncipe de Salina, vai enfrentar esses novos ventos com a força e uma inteligência que lhe permitem afirmar tranquilamente: “É preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma”. Com esta filosofia, Don Fabrizio, personagem de uma extraordinária dimensão, vai conduzir a sua família através desses tempestuosos tempos, mantendo o essencial da sua forma de vida.
O romance, riquíssimo na complexa moldagem das personagens, analisa com um extremo rigor os ambientes, o tempo histórico e os próprios comportamentos humanos, de uma forma simultaneamente lírica e critica.»

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coragem e determinação

Uma das primeiras notícias que leio/vejo hoje é esta, em que o PS se prepara para avançar com uma moção de rejeição do programa do governo. Confesso que é necessário coragem para tal!

Já agora, e uma vez que o PS está assim com tanta determinação, faça já uma coligação pré-eleitoral com o Bloco de Esquerda e com o PCP. Pelo menos, quando formos chamados a eleger um novo governo saberemos, de antemão, em quem votar e o que significa o nosso voto!

palavra de socialista (3)

antonio_galamba_3«Como o poder não deve ser um fim em si mesmo, importa saber qual a banda larga e a banda estreita de um governo das esquerdas. Como, com que garantias, para quê e para que horizonte temporal? A súbita predisposição das esquerdas pode ser uma auto-estrada para o diálogo e para a convergência, mas que ninguém tenha dúvidas de que é uma PPP cuja factura será apresentada mais à frente ao país e ao PS.

As sequelas serão mais graves que as que resultaram da assinatura do memorando com a troika, em 2011. Embora para alguns sejam eleições menores, importa renovar a maioria absoluta nos Açores em 2016 e, no mínimo, em 2017, manter as 150 câmaras municipais lideradas pelo PS. É por isso que o encantamento de alguns pelo poder, pelas euforias presentes e pela geometria variável das regras, dos valores e dos princípios soa à orquestra do Titanic que, depois de embater no iceberg, prosseguiu com a música enquanto o navio se afundava. E mesmo nessas circunstâncias, a orquestra tocava convictamente afinada, algo que não se vislumbra na presente situação.

A música que foi pedida pelos portugueses foi a da mudança das políticas. Quem ganha deve governar com esse registo. Não é o da austeridade custe o que custar nem é o do protesto. Tudo o resto é confundir o trágico com o histórico. Na política como na vida, não vale tudo.» (daqui)

um governo de derrotados?

maria joão avillez«Anda por aí um debate mal-intencionado segundo o qual há uma de gente de má-fé que vê uma golpada, uma fraude, uma usurpação, um golpe de Estado, na concretização de um governo do PS em aliança com a esquerda radical, quando esse governo teria afinal toda a legitimidade política e eleitoral. Pela enésima vez terei que voltar ao que me choca e surpreende. E o que me choca e surpreende não é um governo desses – embora nunca o defendesse politicamente e o ache assassino para o país – mas uma coisa bem distinta e é nela que reside a diferença que me interessa neste debate: quem perdeu as eleições não pode reivindicar uma vitória e um governo como se as tivesse ganho. Ponto. Com o mistificador argumento de que somando o que nunca se anunciou que se somaria, se alcançará a estabilidade através de uma maioria de deputados no Parlamento. De uma vez por todas: a ilegitimidade de que me reclamo não radica na natureza de um governo de extrema-esquerda mas no facto de ele não ter sido votado (e menos ainda anunciado).» (daqui)