cenários e conclusões

«Quando tanto se tem falado da governabilidade, é a ingovernabilidade que nos espreita. E talvez na pior altura. Há pelo menos 2 anos que Cavaco não esconde a preferência por uma solução de consenso, de preferência de governação, entre os partidos de governo tradicionais (PSD, PP e PS). Não o conseguiu em 2013, corre o sério risco de não o conseguir em 2015.

Passos tem tempo. Paradoxalmente, qualquer um dos cenários não lhe é radicalmente desfavorável (talvez por isso mantenha uma atitude calma, quase passiva, na presente circunstância). Ele sabe-o. Um seu governo minoritário, com ou sem acordo com o PS, dificilmente durará a legislatura; mas eleições provocadas pelos socialistas (aos olhos dos eleitores) dar-lhe-ão a probabilidade de uma maioria absoluta. Em caso de governo de esquerda, basta-lhe esperar: o cimento que une os partidos em presença, PS, Bloco e PC, é tão espesso como uma fina camada de orvalho nas manhãs da serra. A hipótese de uma ruptura é mais do que hipótese. E o PSD, sem ter aos olhos do público responsabilidade nessa ruptura terá de novo fortes possibilidades de vencer novas eleições com larga maioria. E o mesmo sucede se o próximo Presidente decidir dissolver a Assembleia e convocar eleições para clarificar o ambiente político (e contribuir para o normal funcionamento das instituições).

Costa já perdeu. Sabe-o. Pode vir a ser primeiro-ministro, mas dificilmente deixará de estar a prazo. Se governar à esquerda estará sempre iminente uma ruptura, quando as exigências do Bloco e (sobretudo) dos comunistas se tornarem insuportáveis, com reflexos públicos e nas instituições. Se apoiar Passos, dificilmente escapa à demissão no anunciado congresso. O referendo interno, caso se realize, poderá salvá-lo? Poder, pode (e só por isso será feito). Mas é pouco provável. E o risco de pasokização do PS, ao contrário do que defendem alguns dos seus dirigentes, está ao virar da esquina.

O Bloco só tem a ganhar. Curioso será ver que pastas sobraçarão os membros do partido, e se farão jus à célebre frase de Clemenceau: “conheci muitos radicais ministros, mas nunca ministros radicais”.

E o PCP? Confesso que não faço a menor ideia.

Sobra o povo português. O que lhe estão a fazer não se faz: depois de 6 anos de demasia socratista e 4 de austeridade (pouco) suave, já merece descanso; e poder beneficiar do esforço e sacrifício que fez com tanta dignidade e coragem (é bom não o esquecermos). Mas à esquina (a outra esquina), espreitam já as agências de rating e os mercados em geral, atentas ao presente deste pequeno, antigo e sábio país europeu.

É caso para dizer: perdoa-lhes, povo, que eles não sabem o que fazem. Ou sabem?» (daqui)

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