palavra de socialista (3)

antonio_galamba_3«Como o poder não deve ser um fim em si mesmo, importa saber qual a banda larga e a banda estreita de um governo das esquerdas. Como, com que garantias, para quê e para que horizonte temporal? A súbita predisposição das esquerdas pode ser uma auto-estrada para o diálogo e para a convergência, mas que ninguém tenha dúvidas de que é uma PPP cuja factura será apresentada mais à frente ao país e ao PS.

As sequelas serão mais graves que as que resultaram da assinatura do memorando com a troika, em 2011. Embora para alguns sejam eleições menores, importa renovar a maioria absoluta nos Açores em 2016 e, no mínimo, em 2017, manter as 150 câmaras municipais lideradas pelo PS. É por isso que o encantamento de alguns pelo poder, pelas euforias presentes e pela geometria variável das regras, dos valores e dos princípios soa à orquestra do Titanic que, depois de embater no iceberg, prosseguiu com a música enquanto o navio se afundava. E mesmo nessas circunstâncias, a orquestra tocava convictamente afinada, algo que não se vislumbra na presente situação.

A música que foi pedida pelos portugueses foi a da mudança das políticas. Quem ganha deve governar com esse registo. Não é o da austeridade custe o que custar nem é o do protesto. Tudo o resto é confundir o trágico com o histórico. Na política como na vida, não vale tudo.» (daqui)