o vazio: um ano depois

logo_PSDTodos os que lêem aquilo que vou escrevendo por aqui sabem qual foi a minha posição face às eleições para os órgãos concelhios do PSD de Almeirim. Ela pode ser encontrada aqui e aqui. Desde então (os textos têm um ano), preferi dar o benefício da dúvida aos órgãos eleitos e remeti-me ao silêncio. Silêncio que também tem sido o apanágio da concelhia do PSD/Almeirim.

Com este texto abandono esse silêncio. Há limites para tudo. Até para a condescendência! E como durante um ano não me foi dada a oportunidade, prevista estatutariamente, de me pronunciar sobre a vida do partido no qual milito há quase 25 anos, não me resta outra solução que não seja tornar público a minha opinião.

Há um ano atrás, um companheiro de partido e actual dirigente local comentou que, e passo a citar «não devemos ter receio da mudança, na grande maioria dos casos é benéfico para a estrutura e para a população, afinal prova exactamente que o alegado vazio pode ser uma pontualidade de um ciclo.». Não questiono os benefícios das mudanças. Aliás, só com mudança é possível evoluir. No entanto, convém que essa mudança seja produza algo de positivo. Passados doze meses daquele comentário, não consigo percepcionar quaisquer mais-valias na mudança ocorrida na estrutura do PSD/Almeirim. Porque, para que possa existir mudança tem que haver, forçosamente, acção e isso, infelizmente, foi algo que não se viu neste último ano!

Não se conhecem, da parte da actual direcção local do PSD/Almeirim, quaisquer iniciativas, quaisquer opiniões ou quaisquer tomadas de posição sobre assuntos de relevante interesse local. Veja-se, a título de exemplo, o caso do concurso de pessoal promovido pela Junta de Freguesia da Raposa… Nem uma linha sobre o assunto! Não se sabe qual a posição da concelhia do PSD/Almeirim sobre o modelo de desenvolvimento económico do concelho. Sobre o desemprego. Sobre a educação. Sobre a saúde. Sobre tantos outros assuntos importantes. Depois, em termos de organização interna do partido, não foi convocada uma única Assembleia de Militantes (e, no espaço de um ano, deveriam ocorrido umas três… para além das que foram convocadas pelos órgãos distritais e nacionais do partido com fins eleitorais). Os militantes desconhecem o que a direcção concelhia está a realizar e esta desconhece as opiniões dos seus militantes. É que estas assembleias de militantes são também uma forma de mobilizar os militantes para importantes batalhas eleitorais como, por exemplo, as eleições autárquicas do próximo ano. Mas, pelos vistos, a actual direcção concelhia já deve ter essa mobilização garantida!

Tudo isto leva-me a concluir que o “alegado vazio” não foi apenas “uma pontualidade de um ciclo”. Se antes do dia 26 de Junho de 2015 havia um vazio de facto por não existirem órgãos eleitos e com mandato, agora existe um outro vazio, bem mais prejudicial, já que existem órgãos eleitos e mandatados mas que pecam pela ausência e pela inércia.

Agora, venham de lá essas críticas ao que escrevi!