à deriva

Rui-Ramos-300x300«Este governo e esta maioria romperam ainda com outra coisa: com tudo aquilo que os partidos que formam a maioria e apoiam o governo tinham dito, aconselhado e exigido enquanto estiveram na oposição. Até Novembro de 2015, PS, PCP e BE pareciam acreditar, por vias diferentes, que os problemas portugueses se resolveriam pondo a economia a crescer, e não equilibrando as contas do país, como pretendia a troika. Eram pelo “investimento público” e pelos “estímulos à economia”. Desprezavam as “metas do défice”. Mais: consideravam a política europeia errada, e achavam que deveria ser contestada e resistida até às últimas consequências. Mas ei-los no poder, e de um dia para o outro o crescimento deixa de lhes importar, cortam o investimento público, e parecem obcecados com as metas do défice. Perante Bruxelas, emitem por vezes uns ruídos anti-germânicos, mas de resto dão a entender que não há problemas. Que significa isto? Por um lado, tudo faz sentido: uma vez no poder, as antigas oposições descobriram que não lhes convinha dispensar o financiamento do BCE. Mas por outro lado, tudo é bizarro: o governo não prepara o país para ser competitivo dentro do quadro do Euro, porque o BE e o PCP recusam reformas, mas também não prepara o país para sair do Euro, porque o PS não aceita a saída do Euro. Limitamo-nos a viver do dinheiro do BCE, à deriva.» (daqui)

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