retóricas

Paulo Ferreira«A esquerda pode aprovar ordenados de mercado para a administração do banco público que está apenas a fazer a defesa da competência e a remunerá-la devidamente. A direita não pode, porque está a promover as desigualdades e a desbaratar recursos públicos. E o contrário também é verdadeiro. Se a direita quer travar ordenados elevados no sector público está a ser populista. Se for a esquerda, é uma medida decente de uma sociedade que ser quer ainda mais decente.

Se a direita corta despesa corrente do Estado está a destruir os serviços públicos, a degradar a Educação, a Saúde ou os transportes que são uma das conquistas de Abril e uma obrigação democrática. Já a esquerda não faz nunca cortes de despesas, antes faz cativações. E estas são benignas e só demonstram responsabilidade na gestão orçamental.

(…)

Se a direita carrega mais nos impostos indirectos está a prosseguir uma política fiscal cega, já que estes são pagos por igual por ricos e pobres. Se esse aumento é feito pela esquerda, essa regressividade deixa de ter importância e valoriza-se antes que não se aumentem ou se reduzam os impostos sobre os rendimentos, que são progressivos e têm uma função redistributiva acentuada.

Quando a esquerda faz tudo para cumprir os objectivos do défice está a ser responsável e a honrar os compromissos europeus. Quando é a direita, estamos de joelhos perante Bruxelas e a senhora Merkel.» (daqui)

Anúncios

o essencial

josé manuel fernandes«Em 2015, ano em que a economia cresceu 1,6%, proclamava-se que era necessário “romper com a resignação perante o empobrecimento”. Agora que se prevê que a economia cresça ainda menos em 2016 e 2017 justifica-se tudo com a “conjuntura económica internacional”, o eterno bode expiatório dos socialistas.

O essencial não é desenhar uma política coerente e apontar um rumo para o país — o essencial é ter sempre um discurso afinadinho que permita justificar os fracassos e as reviravoltas. É só isso que, de resto, se consegue espremer das muitas entrevistas que primeiro-ministro e vários ministros deram nas últimas semanas.

O essencial é também manter o barco à tona de água, o que se faz atirando para o futuro os problemas e esperando que o medo do regresso ao poder do PSD e do CDS contenham as ambições de um Bloco de Esquerda que já anunciou que vai aprovar um orçamento que não é de esquerda e acalmem um PCP cujos sindicalistas estão estranhamente silenciosos mesmo quando é evidente a degradação dos sacrossantos “serviços públicos”.» (daqui)

barreiras arquitectónicas

A história da eliminação de barreiras arquitectónicas contada em três actos!

ACTO I – Dezembro de 2005: a Assembleia Municipal de Almeirim aprova, por unanimidade, uma proposta de recomendação apresentada pelos eleitos do PSD para a «eliminação das barreiras urbanísticas e arquitectónicas, em Almeirim, destinadas a permitir a acessibilidade das pessoas com mobilidade condicionada», com especial incidência para o problemático acesso ao edifício onde se encontravam (e ainda se encontram) instalados os serviços das conservatórias dos registo (edital de deliberações aqui)

ACTO III – Outubro de 2016: iniciaram-se as obras de construção de uma rampa que substituirá as escadas de acesso aos serviços das conservatórias dos registos, permitindo o livre acesso àqueles serviços de cidadãos com mobilidade reduzida.

ACTO II – Onze anos em que muito boa gente com responsabilidades nos destinos deste município, aparentemente, se esqueceu da existência do problema.

 

o “monstro” continua aí

nuno-botelho«A moderação, infelizmente, só não se aplica ao campo da fiscalidade. Os contribuintes voltam a ser as maiores vítimas do Orçamento. Porque há aumento de impostos indiretos, porque se confirma o “novo” IMI, porque se mantém a sobretaxa no IRS, porque se aumenta a carga para as empresas (designadamente, agravando todos os impostos que têm a ver com transportes), porque se criam novas taxas e derivadas novas de taxas antigas. Estamos entre o saque fiscal e a chaga fiscal. Já muito perto, como digo, do limite em que o Estado fará o favor de nos dotar de uma mesada, parcimoniosamente descontada aos rendimentos do nosso trabalho.

O “monstro” está portanto aí. Cada vez mais gordo, mais inchado e mais sôfrego. A culpa não é só de Bruxelas nem decorre única e exclusivamente de Sócrates e da bancarrota. Enquanto quisermos ter uma semana de 35 horas de trabalho, feriados devolvidos, reversão de medidas de contenção da despesa e anulação de concessões de empresas públicas, vamos continuar a pagar muitos e elevadíssimos impostos. Enquanto não houver uma verdadeira reforma do Estado – moralizando e emagrecendo, estabelecendo prioridades e objetivos, simplificando procedimentos e descentralizando recursos -, estaremos eternamente condenados a alimentá-lo.» (daqui)