o nosso fado

josé manuel fernandes«Num país como Portugal, onde os liberais ainda são mais raros do que em França, e ainda mais silenciosos e envergonhados, recordar as reformas levadas a cabo pela “Dama de Ferro” é sujeitar-se a ser insultado, mas disso não tenho receio pois a verdade é que o que nós temos são muitos anos de atraso (e muitas teias de aranha na cabeça).

Num país como Portugal não se consegue entender que não haverá espaço para a economia crescer se não conseguirmos diminuir o peso da despesa pública (Thatcher fez recuar o peso do Estado de 45% para 35%) e se não desregulamentarmos a economia em vez de continuarmos a regulamentá-la e a aprisioná-la em teias burocráticas. As poucas áreas onde ocorreu alguma liberalização nos últimos anos – o mercado do arrendamento e a área do turismo – são, sem surpresa, as que mostram maior dinamismo, mas o que se discute nos jornais e prepara nos gabinetes são novos regulamentos, novas taxas e novas mordaças à inovação e ao empreendorismo.

Em quatro anos de troika vimos os famosos “hiperliberais” aumentar os impostos. Nestes dez meses que levamos de geringonça vemos os que gritaram contra esses impostos andarem num lufa-lufa para inventarem novos impostos e taxas, mesmo que o mais disfarçados possível. Só nos falta mesmo quem grite baste e, como a “Dama de Ferro”, corte a direito, firme nas suas convicções e nas suas políticas, capaz de, como ela, dizer orgulhosamente “the Lady’s not for turning”.

O nosso destino não pode ser só pagar mais impostos. Mas é isso que parece.» (daqui)

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