sobre o crescimento económico

«alexandre_gouveia4Os governos portugueses, sobretudo desde a criação da Zona Euro, em 1999, entenderam que a forma certa de promover o crescimento económico e o emprego seria sobretudo através de significativos aumentos da despesa pública. O resultado desta política foi um crescimento económico quase nulo e um pedido de resgate em 2011. Mas Portugal não é caso isolado, pois é possível referir que existem nos 28 países da União Europeia dois grupos distintos: a) os que optaram por pequenos ou nulos deficits orçamentais, por dívidas públicas inferiores a 60% do PIB, e por oferecerem às suas empresas condições favoráveis de competitividade, nomeadamente com uma legislação laboral flexível, com impostos baixos, e com apoios às despesas de investigação e inovação. Estes países alcançaram, por regra, taxas elevadas de crescimento. Estão neste grupo países como a Alemanha, Irlanda, Finlândia, Áustria, ou Holanda; b) os países que optaram por grandes deficits orçamentais e elevadas dívidas públicas, ignorando, em boa medida, os factores de competitividade das empresas. Registaram, por regra, taxas de crescimento reduzidas ou mesmo nulas. Estão neste grupo de países a Grécia, Itália, Espanha e Portugal.» (daqui)

Anúncios

estado social onde?

Rui-Ramos-300x300«Sim, é verdade, o governo trabalha. Precisa de distribuir dinheiro, e depois, porque não pode alienar o financiamento do BCE, precisa de ir buscar dinheiro. Esta ginástica orçamental até poderá saciar os devidos clientes e dependentes, mas acabará por estrangular a economia, quer com a invencionice fiscal que temos admirado, quer com uma incerteza que fará cada vez mais investidores e trabalhadores hesitar ou desistir. Muita gente já o disse. Mas faltará dizer que não é só a economia que se degrada.

Tem sido comentado o efeito do corte de investimento e de “consumos intermédios” na qualidade dos serviços públicos. Creio, porém, que as suas consequências para o regime ainda não foram devidamente apreciadas. O governo devolve salários ao funcionalismo, mas tira-lhe, ao mesmo tempo, os meios para desempenhar o seu papel. Não poderia haver melhor sinal de que o Estado social só interessa ao governo e à maioria como uma bolsa de clientelas e de dependentes, e não como prestador ou garante de serviços à sociedade. Em Portugal, começamos a deixar de ter um Estado social para passar a ter um Estado fundamentalmente político-eleitoral: a prioridade é acomodar clientes; os benefícios para o resto da população são incidentais. Este vai ser o orçamento desse Estado. Pede-lhes o presidente que não pensem em eleições. Mas em que mais poderiam eles pensar?» (daqui)