decisão censória

«Este pequeno filme que se destinava a passar na televisão francesa foi censurado pelo Conselho Superior de Audiovisual francês, com a alegação de que não se enquadrava nos critérios de serviço público, invocando o argumento de que as imagens de crianças com trissomia 21 sorridentes e felizes poderia “perturbar as consciências de mulheres que tinham tomado, legalmente, outras escolhas de vida pessoais” (leia-se aborto). Esta decisão censória foi posteriormente confirmada pelo Conselho de Estado francês, levando a uma justa indignação das organizações que se dedicam a apoiar as famílias de portadores de trissomia 21.» (daqui)

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cobardia geral

antonio-barreto«Na recordação do 25 de Novembro, que há de mais impressionante é o modo como tanta gente se acovarda hoje. Até o Parlamento e os grupos parlamentares recusaram recordar formalmente esta data, porque entenderam que a data “dividia” os Portugueses! Ora, a data é imprescindível para a democracia. Tanto quanto o 25 de Abril. Esta não é uma obra de investigação académica ou jornalística, é um trabalho de comemoração, congratulatório e de reflexão sobre as consequências de tão importante acontecimento da história recente. Aliás, essa “obra” de investigação, levada a cabo por historiadores académicos ou por jornalistas profissionais, ainda falta. Há muitos episódios concretos e muitos pormenores que são pouco ou nada conhecidos. Neste livro, todavia, há aspetos novos ou questões geralmente pouco abordadas. Por exemplo, a importância do 25 de Novembro para as Regiões Autónomas, para a sua estabilidade e para a pacificação naquelas regiões particularmente sensíveis, é um dos aspetos olhados de maneira nova.» (daqui)

o foguetório

josé manuel fernandes«Para já tudo vai também passando no crivo de uma Comissão Europeia “assumidamente política”, mas um dia vai estoirar-nos nas mãos sob a forma de um novo colapso por falta de crescimento sustentado, como bem sublinha João César das Neves num livro acabado de publicar. Diz o povo que enquanto o pau vai e vem folgam as costas, e é assim que fomos vivendo este ano. Assim e empurrando os problemas (e as contas) com a barriga, que para mais é volumosa. O pior é que o fazemos sem que isso nos incomode ou sem que desejemos qualquer mudança.

Viva o foguetório, viva a decadência: o que conta é que não incomodem a nossa elite, que essa tem as suas prebendas garantidas. O resto é conversa de uns desmancha prazeres como este vosso escriba. A conta pagá-la-ão os meus filhos, e isso é o que mais me custa.» (daqui)

boas e gratas memórias

Finais de 1988. Época do ano propícia, pela sua proximidade ao Natal, à edição de material discográfico. Só para citar alguns exemplos, os U2 tinham editado o duplo álbum “Rattle And Hum”, com faixas gravadas em estúdio e outras em espectáculos realizados nos Estados Unidos, Tina Turner, o também duplo ao vivo “Tina Live In Europe” e os Marillion “La Gazza Ladra”. Por terra lusas, também o Trovante editou o duplo álbum “Ao Vivo no Campo Pequeno”.

Os Pink Floyd também não escaparam a esta euforia de lançamentos discográficos. Depois de, em 1987, se terem reunido (sem Roger Waters) e editado “A Momentary Lapse Of Reason”, embarcaram numa digressão mundial que, por esta altura, seria dada a conhecer através dum também duplo álbum.

Na altura, com 16 anos e participar no projecto Emissora Voz do Sul (rádio pirata de Almeirim, cujos estúdios se localizavam na Rua Condessa da Junqueira, perto do Depósito da Água), fiquei a conhecer algumas das músicas deste grupo. Para mim, Pink Floyd até então resumia-se a “Another Brick In the Wall” (hey teacher, leave the kids alone). Desconhecia “Wish You Were Here”, “Comfortably Numb”, “Time” e todos os grandes clássicos. Nesse verão, alguns dos companheiros de rádio mais velhos (dotados duma cultura musical mais eclética) tinham-me emprestado alguns LP’s. Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que ouvi “Atom Heart Mother” (com a vaca na capa). A primeira faixa era, afinal, todo o lado A do disco; nunca tinha visto semelhante coisa e, muito menos ouvido!

O interesse foi crescendo e eu fui acompanhando as notícias sobre a edição desse disco ao vivo. O lançamento estava previsto para o dia 22 de Novembro. E seria algo de grandioso pois, até aquela data, os Pink Floyd nunca tinham editado um disco inteiramente ao vivo.

Ora, chegado o dia, mal podia comigo de excitação. Afinal de contas, seria o meu primeiro disco! Ainda por cima, naquele dia não tinha aulas durante a tarde, o que significava que ia para a rádio. E nada melhor do que estrear o novo disco, passando-o na íntregra!

delicate-sound-of-thunder-vinil.jpgSaí das aulas na Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (em Santarém) e, antes de apanhar o autocarro, dirigi-me à saudosa Frilux (na Rua Serpa Pinto), onde comprei o duplo álbum “Delicate Sound Of Thunder” por 2.500$00.

(Faço aqui um intervalo para esclarecer que, na EVS, os mais velhos tinham programas de autor, preparados em casa e que iam para o ar em “horário nobre”. Os mais novos, preenchiam a grelha no período da tarde).

Não me recordo de todos os pormenores; apenas sei que, durante aquela tarde, “Delicate Sound Of Thunder” tocou pela primera vez na EVS. Os quatro lados na íntegra! Foi um alegria imensa para um jovem de 16 anos estar a dar a conhecer, pela primeira vez, uma edição discográfica.

O pior foi que “estraguei” a emissão a um dos mais velhos. O Zé Pereira tinha o seu programa de autor preparado para dar a conhecer, também ele em primeira-mão, este disco. Acho que, na altura, não deve ter gostado muito da minha ideia.

Belos tempos aqueles, que ficarão para sempre na memória de quem por lá passou. E que me “infectaram” com o vírus da música e da rádio. (publicação original aqui)

reféns do estatismo

Rui-Ramos-300x300«Não, em Portugal não é um populismo ainda por aparecer que ameaça a democracia: é o estatismo que já apareceu, é o estatismo que um Estado enorme torna praticável, é o estatismo que uma sociedade enfraquecida torna irresistível, é o estatismo que só nas necessidades de financiamento externo tem um ponto fraco. Sem petróleo, depende da Comissão Europeia e do BCE. Mas basta-nos a Comissão Europeia e o BCE para sermos livres?

É por isso que a chamada “liberalização” em Portugal, isto é, a limitação do poder do Estado para absorver recursos e criar rendas, não é só uma questão económica: é fundamentalmente, e acima de tudo, uma questão política, uma questão de liberdade.» (daqui)