a típica manhosice política

josé manuel fernandes«Isto não é apenas uma trapalhada – isto é um modus operandi típico de quem fez uma combinação que não devia ter feito, de quem aprovou uma lei que não devia ter aprovado, de quem procura atirar a responsabilidade (primeiro) e as culpas (depois) para cima de outros e, sobretudo, de quem não quer definir-se e só procura um bode expiatório. A comandar este exercício de suprema hipocrisia política está naturalmente o primeiro-ministro, por certo convencido que a arte de bem se esgueirar como uma enguia é a suprema arte do bom político.

Tudo pode acabar mal, e o supremo cinismo é nem sequer assumir com frontalidade que se prometeu o que não se podia ter prometido. Mas se acabar mal, e se esta administração da Caixa cair, o terreno está desbravado para serem eles os maus da fita, os que não quiseram cumprir a lei, os que se julgam acima do comum dos mortais. Nessa altura António Domingues terá toda a razão para se sentir enganado, mas sobretudo perceberá que pouco proveito terá em ter colocado as suas condições em devido tempo e ter moralmente razão. Perceberá como vale pouco a palavra dada em política – em especial a palavra de certos políticos – e que engolir sapos faz parte do menu de quem vai para uma Caixa Geral de Depósitos.» (daqui)