ser oposição não é (só) pedir demissões

Julgo que a maioria daqueles que seguem os meus textos sabem da minha filiação partidária. Ser-se militante dum partido político significa comungar dos ideais perfilhados, mas ter a frontalidade de discordar de decisões tomadas.

Por isso, tenho uma opinião muito própria sobre o que é fazer oposição num concelho como Almeirim, que tem sido governado por sucessivas maiorias absolutas do Partido Socialista. Fazer oposição não é estar contra tudo. Fazer oposição é, acima de tudo, apresentar alternativas ao actual modelo de governação. É estar contra quando julgamos que os interesses da população estão em causa e é estar a favor quando essa mesma população é beneficiada por uma qualquer decisão política. Este trabalho tem que ser contínuo, inicia-se logo após as eleições e só termina no último dia da campanha eleitoral das eleições seguintes.

Por isso, fazer oposição a uma maioria absoluta que governa os destinos dum município não é estar ausente durante três anos e, de repente, só por causa dum fait-divers do qual se tomou conhecimento por ter sido divulgado na comunicação social local e regional, vir pedir a demissão da vereadora da educação. Isso não passa de oportunismo político! Eu gostaria de ver, da parte da JSD de Almeirim e, principalmente, do PSD de Almeirim, tomadas de posição sobre assuntos de relevante interesse para as populações deste concelho e não sobre assunto de lana caprina.

Não quero com isto dizer que concordo com a atitude da vereadora da educação. Vamos por partes. A cidadã Maria Emília Moreira tem direito à sua opinião sobre qualquer assunto e o facto de ser autarca não a pode diminuir neste aspecto. Mas, a vereadora da educação tem que saber separar os assuntos que fazem parte do seu dia-a-dia enquanto tal e aqueles que pertencem à sua esfera pessoal e familiar. Misturar estes dois tipos de assuntos é sinónimo de trapalhada. A cidadã Maria Emília Moreira pode escrever o que escreveu mas não o deveria ter feito na qualidade de vereadora, não deveria ter usado a sua conta de correio electrónico institucional e não deveria ter afirmado que iria rever a sua posição no seio do executivo municipal quando se tratassem de assuntos relacionados com o União de Almeirim.

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pormenores (2)

pedras-rua-alexandre-herculanoDepois de ter escrito este texto sobre o buraco na Rua Alexandre Herculano, o mesmo foi remendado e encontra-se num estado idêntico ao que a imagem mostra (esta fotografia foi tirada em Outubro de 2010!!!).

E por que volto a maçar-vos com esta história? Bem, em primeiro lugar, pelo tempo que ela dura: 7 (sete) anos, no próximo mês de Abril (a primeira vez que escrevi sobre isto foi a 1 de Junho de 2010). Não sou especialista na reparação de buracos, mas julgo que sete anos é demasiado tempo para reparar um buraco desta dimensão.

Depois, porque fica-se com a sensação de que existem almeirinenses de primeira e de segunda, consoante a sua localização. Se morarem numa via com maior visibilidade ou próxima do centro da cidade, a autarquia está atenta aos “pormenores”; se morar afastado desta zona de influência, os pormenores, pura e simplesmente, não existem!

Por último, este artigo laudatório da maioria socialista no actual mandato autárquico, onde são enaltecidas as grandes obras do regime (são tantas que seria maçador enumerá-las…) e que me leva questionar porque razão uma autarquia leva a cabo tantas obras de grande dimensão em menos de quatro anos e demora sete para reparar um buraco numa qualquer rua. Poderia ser por desconhecimento, o que julgo não ser o caso. Não sendo por falta de conhecimento do problema, só poderá ser por falta de interesse em resolvê-lo!

os dois salários mínimos nacionais

joão miguel tavares«Esta, aliás, é a maior mentira do sistema político português: é pura e simplesmente ridícula a ideia de que o PCP e o Bloco Esquerda são os partidos que estão ao lado dos mais fracos. PCP e Bloco são partidos dos trabalhadores, de gente que está no quadro das empresas, que ganha 14 salários por ano, e que tem poder de mobilização e de reivindicação. Os precários a recibo verde e os desempregados são alvos da sua comiseração, mas não da sua acção. Bem pelo contrário. Medidas como a subida em quatro anos do salário mínimo do trabalhador até aos 600 euros (salário mínimo da empresa: 945 euros), apenas agrava a hipótese de algum dia virem a ter um emprego estável, estimulando o círculo vicioso da prestação de serviços e do falso recibo verde. A razão é óbvia. Há em Portugal milhares de empresas que podem dispor de 600 euros mensais para pagar a um trabalhador, mas que não têm 900. E com o salário mínimo artificialmente fixado nesse valor, só há duas hipóteses: ou não se dá emprego, ou pagam-se 600 euros por trabalho a tempo inteiro camuflado de prestação de serviços.» (daqui)

Sr. Almeida

bilharFoi hoje a sepultar no cemitério de Almeirim, com 90 anos de idade, o senhor José Pratas d’Almeida.

Não sei precisar quando o conheci, mas creio que foi por volta dos meus 20 anos, algures na década de 1990. Durante uma década mantivemos uma relação de alguma proximidade, baseada no respeito mútuo que existe entre duas pessoas com uma significativa diferença de idades e que foi cimentada no gosto que ambos tínhamos pelo bilhar.

Não digo diariamente, mas com bastante regularidade, nos encontrávamos no salão de jogos Grupo 4 para uma hora de carambolas. É claro que, na maioria das vezes, o perdedor desses encontros era eu mas, muito do que aprendi neste jogo, se deveu a ele.

Depois, o salão de jogos encerrou e Almeirim deixou de ter um ponto de encontro para os amantes do bilhar. E foi aí que os nossos encontros passaram a ser cada vez mais fortuitos. Até que a idade começou a pesar-lhe e eu deixei de o ver, julgando até que já tinha falecido. Mas ainda há uns dias atrás, ao recordar esses tempos passados com uns amigos meus, o seu nome surgiu na conversa.

Obrigado, Sr. Almeida, pelas horas que passámos juntos e pelos seus ensinamentos! Que descanse em Paz!

À sua família, as minhas sentidas condolências!

uma parceria imprudente

joão miguel tavares«(…) por que aceita Marcelo desempenhar o papel de ventríloquo de António Costa?

Será porque gosta muito de Costa? Porque odeia Passos? Porque acha que é o melhor para o país? Porque não quer chatices? Não tenho uma boa resposta – sei apenas que esta osmose é absurda e perigosa. Uma coisa é o Presidente da República desejar “estabilidade”. Até hoje, todos os presidentes da República desejaram “estabilidade”. Outra coisa, inteiramente diferente, é o palácio de Belém assinar uma inédita PPP (Parceria Presidente Primeiro-ministro) com o palácio de São Bento, nos seguintes termos: o segundo vende ao primeiro toda a argumentação acerca do espectacular estado do país; o primeiro compra essa versão e vende-a a todos os portugueses como se fosse sua e, portanto, “neutra”. Mais. Esta PPP até já vem com o seu credit default swap incluído, na figura do comentador e conselheiro de Estado Marques Mendes, que tem vindo cada vez mais a desempenhar o papel de avalista mediático do Presidente – e conspirador ocasional.» (daqui)