o que conta

mario-soares«Contudo, como português, como democrata, não tenho a menor hesitação em afirmar que desapareceu alguém a quem devo muito – a quem devo imenso. Tivesse ele perdido as batalhas em que se empenhou nos primeiros anos da nossa democracia, um tempo em que de alguma forma foi o rosto de um Portugal na vanguarda – na inauguração – daquilo a Samuel P. Huntington chamou a “terceira vaga democrática”, e eu não estaria a escrever este texto. Talvez nem estivesse vivo, ou livre, ou a viver em Portugal.

Por isso, porque prezo antes de tudo a liberdade, foi em liberdade que em 2004 participei no jantar dos seus 80 anos, porventura a maior e mais comovente homenagem que recebeu em toda a sua vida. E é em liberdade que quero continuar a recordá-lo pelos seus melhores anos. Os que marcarão para sempre o seu legado.

Não foi por acaso que, a abrir este texto, escolhi como referência o mais marcante estadista do século XX, Winston Churchill. Na nossa democracia Mário Soares ocupa um idêntico lugar cimeiro.» (daqui)

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