coligação de centro-direita: sim ou não?

(publicado originalmente na página Almeirim 2017)

Depois de se saber que existiram conversas entre as concelhias do PSD e do CDS-PP para a eventual formação de uma coligação, coloca-se aquela questão recorrente: fará sentido uma coligação de centro-direita concorrente às eleições autárquicas no concelho de Almeirim?

Se um projecto de coligação pode fazer sentido para Portugal, a nível local a apreciação não é assim tão linear. Almeirim é um município que vota à esquerda. De todas os actos eleitorais aqui realizados, o PS ou as candidaturas alinhadas à esquerda saíram sempre vencedores. Com as excepções das vitórias do PSD, em legislativas, quando Cavaco Silva foi candidato a primeiro-ministro ou na última eleição presidenciais. Isto é, o centro-direita apenas foi vencedor em Almeirim quando protagonizou uma candidatura alternativa, baseada num projecto credível.

Não sendo impossível uma vitória de uma candidatura à direita do PS, até porque não existem impossíveis, um bom resultado eleitoral torna-se mais difícil de obter quando os partidos entram numa longa hibernação após uma derrota. Sendo Almeirim um concelho sociologicamente virado à esquerda, onde o Partido Socialista construiu, ao longo dos anos, uma rede de influências nas mais diversas áreas da sociedade, se não houver, ao longo do tempo, um trabalho de oposição sério e credível, que passe a mensagem aos eleitores de que existe uma alternativa, a constituição de uma qualquer coligação dos partidos à direita, a pouco menos de seis meses das eleições autárquicas está, à partida, condenada à derrota.

Sejamos honestos! Uma candidatura autárquica que pretende ser alternativa à que se encontra no poder não pode, pura e simplesmente, dissolver-se após o acto eleitoral e aparecer quatro anos depois como se nada tivesse acontecido. Os eleitores podem estar desinteressados com a política, podem não comparecer às reuniões camarárias e às sessões das assembleias, mas estão atentos a estes pequenos (grandes) pormenores.

As concelhias do PSD e do CDS-PP até podem decidir que os seus partidos concorrem juntos nas próximas autárquicas. Mas devem fazê-lo numa perspectiva de médio/longo prazo, com um projecto alternativo e credível à actual governação do PS, pois só assim conseguirão alcançar frutos. Se concorrerem tendo apenas como horizonte este acto eleitoral então, para gáudio da actual maioria, irá continuar tudo na mesma.

Post Scriptum: Depois de ter redigido o presente texto e enviado para publicação, chegou ao meu conhecimento de que o PSD e o CDS-PP vão concorrer, às eleições autárquicas, em listas separadas. De qualquer das formas, este facto não invalida a minha opinião formulada no texto.

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