um pedido de desculpas

Rui-Ramos-300x300«É óbvio que a oligarquia sabe que nada está assim tão bem. De facto, os oligarcas estão pessimistas. Tão pessimistas, que já só acreditam na sorte e no “pensamento positivo”. Mas a certa altura pareceu mesmo haver sorte: era o dinheiro barato do BCE, era o turismo, era o campeonato da Europa, era o festival da Eurovisão — tudo falava de uma fortuna que não se cansava de sorrir a António Costa. Até ao Pedrógão Grande. Na semana passada, o encanto quebrou-se. Afinal, as coisas também correm mal a António Costa. Pior: a sua encenação de sucesso rasgou-se, para revelar a vulnerabilidade de um país onde o Estado, gastando o equivalente de metade do PIB, nem assim é capaz de poupar os cidadãos a um massacre como o do Pedrogão.

Ontem, porém, houve luz na escuridão. O provedor da Misericórdia de Pedrogão Grande induziu Passos Coelho num lapso, de que o líder do PSD decidiu pedir desculpa. Foi a alegria do costismo. Era a sorte outra vez. Mas talvez o sarcasmo do regime tenha desta vez ficado demasiado patente: é que tivemos desculpas do líder da oposição por um pequeno comentário, mas nem uma palavra de contrição do governo pela incompetência e descontrole que mataram 64 pessoas e deixaram mais de 200 feridas.» (daqui)