obtusidade e facciosismo

Rui-Ramos-300x300«A Standard and Poor’s subiu a notação da dívida portuguesa. António Costa já deu os parabéns a Passos Coelho? Não é uma questão de justiça. É uma questão de inteligência. Porque pensar que o país saiu do lixo da Standard and Poor’s porque aumentou os funcionários públicos em 2016, e que o sucesso do ajustamento entre 2011 e 2014 não teve qualquer papel, é uma prova de obtusidade, antes de ser uma exibição de facciosismo.

A ultrapassagem da crise de 2011 não se deveu só a Passos, mas deveu-se muito a Passos. O processo teve várias momentos: o resgate da troika em 2011, que poupou o país à bancarrota imediata; a declaração de Mario Draghi em 2012, que sossegou os investidores internacionais; a firmeza de Passos Coelho em 2013, que garantiu que Portugal não cairia numa cascata de governos, eleições e resgates, como a Grécia; a “saída limpa” de 2014, com a economia a crescer e o desemprego a diminuir; e finalmente, o ano passado, as brutais cativações e cortes de investimento de Mário Centeno, que sacrificou os serviços públicos e o papel do Estado de modo a satisfazer as clientelas do poder sem ferir a credibilidade externa.» (daqui)

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a “comida congelada” do PSD

joão miguel tavares«Todos os que aspiram à liderança social-democrata são figuras tão desgastadas quanto ele, e os poucos que não estão tão desgastados ou não querem o seu lugar, ou não têm peso suficiente no partido para ficarem com ele. A tão badalada renovação do PSD é apenas uma revelhação. A oposição mais consistente a Passos oriunda da área social-democrata é aquela que nos meios de comunicação social é liderada por Manuela Ferreira Leite ou por Pacheco Pereira. E que, nos bastidores do partido, é alimentada por Nuno Morais Sarmento ou por Rui Rio. Mas isso seria como substituir um prato que já está frio por comida congelada. E não é apenas congelada por essas figuras terem um passado de pior memória do que o de Passos — o caso de Morais Sarmento é o mais evidente, mas qualquer figura que tenha circulado pelos tristes governos de Durão Barroso e Santana Lopes não pode agora apresentar-se fresco que nem uma alface diante dos eleitores. É também comida congelada no sentido em que a área da social-democracia representada por Ferreira Leite, Pacheco Pereira ou Rui Rio é oriunda do velho centrão despesista, dependente e excessivamente estatizado, muito mais próximo do pensamento de António Costa do que do de Passos Coelho.» (daqui)

“algo não bate certo”

antonio_galamba_3«A presunção, a água benta e os decretos cada um toma os que quer. O espantoso em toda a retórica política a que se assiste é ter um governo a proclamar o fim da austeridade, constatar-se o nível de cativações para que se cumpram objetivos da austeridade e vislumbrar a agitação que grassa nos apoiantes da solução governativa para extraírem dividendos de um crescimento que não está diretamente associado às soluções viabilizadas. Não foi induzido pelo consumo privado, não foi catalisado pelo investimento público, não resultou de nenhuma das opções de fundo que não sejam o crescimento do turismo e das exportações, num quadro de legislação laboral que é anterior a 2015.

O espantoso é que as mesmas proclamações ou decretos do governo suscitem atitudes totalmente diferenciadas, condescendente com o primeiro ministro e o ministro das finanças, intolerante com o ministro das finanças, logo objeto de setas para baixo e outros distrates por abuso de euforia. Essa condescendência, essa falta de escrutínio a par da falta de assertividade da oposição tem feito com que muito papem tudo.

É esse “come a papa” que tem feito com que, estando aos olhos de todos que algo não bate certo, se continue a achar que está tudo bem, enquanto se batem recordes de dívida pública, a realidade desmente algumas narrativas e se correm demasiados riscos com questões importantes para as pessoas e para o crescimento económico.» (daqui)

big brother

joão gonçalves«O regime do dr. Costa e dos seus “parasitas” parlamentares é o que há de mais parecido, em trágico-cómico, com o livro “1984” de George Orwell e com a sua personagem central: o “Grande irmão”. É vê-los, ouvi-los e lê-los. São depois revistos e aumentados pela “polícia do pensamento” que se espraia pela redacção única – dominante no grosso da Comunicação Social – a partir do “ministério da Verdade” e do “ministério do Amor”, o que mantém a “lei e a ordem”. “1984” pode declinar-se num “2017” português, escrito a várias mãos, o equivalente a uma biografia não autorizada do que para aí anda. Isto porquanto a Oposição, para além de enxovalhada diariamente pelo primeiro-ministro e por mais gente infrequentável, tem-lhes feito o favor de ajudar no guião em vez de fechar definitivamente o ciclo encerrado com a queda do XX Governo no Parlamento.» (daqui)