o meu primeiro trail

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Rio Tejo com a Ponte Salgueiro Maia ao fundo

Corro há mais de um ano e só por uma vez aqui escrevi sobre isso, mas de forma indirecta. Nunca aqui escrevi sobre as minhas experiências de corrida, sobre as minhas conquistas, sobre os meus fracassos. Tenho deixado isso para umas curtas publicações no Facebook, juntamente com a partilha dos treinos e de imagens.

Mas hoje abro uma excepção! Em todo este tempo que corro (e que não é muito!), nunca tinha experimentado o trail. Maioritariamente, corro em estrada divergindo, algumas vezes, para zonas rurais com pavimento de terra batida. E gosto de correr aqui, no meio da natureza, mas nunca me aventurei para zonas desconhecidas. Ou melhor, nunca saí da minha zona de conforto que, basicamente é correr em plano, sem grandes subidas (o máximo de elevação acumulada que tinha atingido foram uns meros 144m D+ na Corrida das Fogueiras, em Peniche). Até que resolvi inscrever-me no Big Trail McDonald’s/SNR 2017, que iria decorrer nas encostas de Santarém.

Sabia, de antemão, que o acumulado rondaria o 500m D+. Mas desconhecia, por completo, o trajecto. Excepto a partida e a chegada, que seriam no Instituto Politécnico de Santarém (deu para matar saudades daquele espaço) e que foram os únicos segmentos planos do treino! ScreenShot487Todo o resto foi um constante sobe e desce, por locais que apenas conhecia por os avistar ao longe, na comodidade dum carro (da próxima vez que atravessar a Ponte D. Luís I e olhar em frente, em direcção a Santarém, vou lembrar-me que já andei ali, naquelas encostas) e por outros que eu julgava praticamente impossível de transpor. Até os ter enfrentado e ultrapassado! Alguns, com a ajuda de pessoas que eu nunca tinha visto, com quem eu nunca tinha falado mas que, nos momentos mais difíceis para mim, literalmente, me estenderam a mão! Aliás, a forma como terminei esta minha prestação, no meio de dois atletas desconhecidos mas, com os quais partilhei os últimos quilómetros, diz muito do ambiente de amizade e de entre-ajuda que vive nestes treinos/provas.

Resumindo e concluindo, foram 14,8km percorridos em 2:26:57, com um acumulado de 587D+!!! O maior empeno de toda a minha vida (até agora)! De tal forma que, quarenta e oito horas depois, ainda não consegui recuperar o meu antigo andar 😀 😀 😀

 

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simplesmente, pai!

Outubro de 1972, com o meu Pai«Infelizmente nenhum pai dura para sempre. Nunca saberemos quando será o seu último dia, mas esse dia chega muitas vezes quando menos esperamos. Acordamos com pai e adormecemos órfãos. Assim mesmo. E no momento em que o perdemos, percebemos que não estávamos preparados. Por mais velho que seja, parece que nunca é suficientemente velho para partir. Egoisticamente apetece que fique connosco muito mais tempo, até para podermos ainda reparar alguma coisa que, porventura, precise de ser reparada ou feita de novo. Ser pai e ser filho implica perdoar e ser perdoado. Exige aceitação e perdão, pois nenhum pai é perfeito e nenhum filho é sem mancha. E o tempo é, como dizia Yourcenar, um grande escultor. O tempo serve para nos afastarmos e voltarmos a aproximar, porque há realmente um tempo para tudo. E é esse tempo que apetece aproveitar, mas nem sempre nos é dado. Ou não é dado a todos na mesma medida.» (daqui)

Sr. Almeida

bilharFoi hoje a sepultar no cemitério de Almeirim, com 90 anos de idade, o senhor José Pratas d’Almeida.

Não sei precisar quando o conheci, mas creio que foi por volta dos meus 20 anos, algures na década de 1990. Durante uma década mantivemos uma relação de alguma proximidade, baseada no respeito mútuo que existe entre duas pessoas com uma significativa diferença de idades e que foi cimentada no gosto que ambos tínhamos pelo bilhar.

Não digo diariamente, mas com bastante regularidade, nos encontrávamos no salão de jogos Grupo 4 para uma hora de carambolas. É claro que, na maioria das vezes, o perdedor desses encontros era eu mas, muito do que aprendi neste jogo, se deveu a ele.

Depois, o salão de jogos encerrou e Almeirim deixou de ter um ponto de encontro para os amantes do bilhar. E foi aí que os nossos encontros passaram a ser cada vez mais fortuitos. Até que a idade começou a pesar-lhe e eu deixei de o ver, julgando até que já tinha falecido. Mas ainda há uns dias atrás, ao recordar esses tempos passados com uns amigos meus, o seu nome surgiu na conversa.

Obrigado, Sr. Almeida, pelas horas que passámos juntos e pelos seus ensinamentos! Que descanse em Paz!

À sua família, as minhas sentidas condolências!

boas e gratas memórias

Finais de 1988. Época do ano propícia, pela sua proximidade ao Natal, à edição de material discográfico. Só para citar alguns exemplos, os U2 tinham editado o duplo álbum “Rattle And Hum”, com faixas gravadas em estúdio e outras em espectáculos realizados nos Estados Unidos, Tina Turner, o também duplo ao vivo “Tina Live In Europe” e os Marillion “La Gazza Ladra”. Por terra lusas, também o Trovante editou o duplo álbum “Ao Vivo no Campo Pequeno”.

Os Pink Floyd também não escaparam a esta euforia de lançamentos discográficos. Depois de, em 1987, se terem reunido (sem Roger Waters) e editado “A Momentary Lapse Of Reason”, embarcaram numa digressão mundial que, por esta altura, seria dada a conhecer através dum também duplo álbum.

Na altura, com 16 anos e participar no projecto Emissora Voz do Sul (rádio pirata de Almeirim, cujos estúdios se localizavam na Rua Condessa da Junqueira, perto do Depósito da Água), fiquei a conhecer algumas das músicas deste grupo. Para mim, Pink Floyd até então resumia-se a “Another Brick In the Wall” (hey teacher, leave the kids alone). Desconhecia “Wish You Were Here”, “Comfortably Numb”, “Time” e todos os grandes clássicos. Nesse verão, alguns dos companheiros de rádio mais velhos (dotados duma cultura musical mais eclética) tinham-me emprestado alguns LP’s. Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que ouvi “Atom Heart Mother” (com a vaca na capa). A primeira faixa era, afinal, todo o lado A do disco; nunca tinha visto semelhante coisa e, muito menos ouvido!

O interesse foi crescendo e eu fui acompanhando as notícias sobre a edição desse disco ao vivo. O lançamento estava previsto para o dia 22 de Novembro. E seria algo de grandioso pois, até aquela data, os Pink Floyd nunca tinham editado um disco inteiramente ao vivo.

Ora, chegado o dia, mal podia comigo de excitação. Afinal de contas, seria o meu primeiro disco! Ainda por cima, naquele dia não tinha aulas durante a tarde, o que significava que ia para a rádio. E nada melhor do que estrear o novo disco, passando-o na íntregra!

delicate-sound-of-thunder-vinil.jpgSaí das aulas na Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (em Santarém) e, antes de apanhar o autocarro, dirigi-me à saudosa Frilux (na Rua Serpa Pinto), onde comprei o duplo álbum “Delicate Sound Of Thunder” por 2.500$00.

(Faço aqui um intervalo para esclarecer que, na EVS, os mais velhos tinham programas de autor, preparados em casa e que iam para o ar em “horário nobre”. Os mais novos, preenchiam a grelha no período da tarde).

Não me recordo de todos os pormenores; apenas sei que, durante aquela tarde, “Delicate Sound Of Thunder” tocou pela primera vez na EVS. Os quatro lados na íntegra! Foi um alegria imensa para um jovem de 16 anos estar a dar a conhecer, pela primeira vez, uma edição discográfica.

O pior foi que “estraguei” a emissão a um dos mais velhos. O Zé Pereira tinha o seu programa de autor preparado para dar a conhecer, também ele em primeira-mão, este disco. Acho que, na altura, não deve ter gostado muito da minha ideia.

Belos tempos aqueles, que ficarão para sempre na memória de quem por lá passou. E que me “infectaram” com o vírus da música e da rádio. (publicação original aqui)