défice: o ponto onde estamos

Rui-Ramos-300x300«Do ponto de vista da história dos últimos cinquenta anos, o défice é o sintoma de uma dificuldade que não está resolvida: o desequilíbrio entre, por um lado, os compromissos que o poder político assume para controlar a sociedade e, por outro, a capacidade dos portugueses para criarem riqueza e a colocarem à disposição do Estado. Essa dificuldade não é de agora. A integração europeia, iniciada com a adesão à EFTA (1960) e com os acordos com a CEE (1972), transformou uma sociedade rural numa sociedade urbana, o que resultou num enorme salto de expectativas. Rapidamente, e já antes do 25 de Abril de 1974, se sentiu a pressão para importar os modelos das sociedades ricas do norte da Europa, mesmo não existindo a correspondente base produtiva. Os governos tiveram dois meios para gerir os desequilíbrios: a inflação, que o Euro desactivou, e a captação de recursos no exterior, nomeadamente através do endividamento, que o Euro facilitou. Agora, sem a inflação, resta o financiamento externo. É o ponto onde estamos.

Há alternativa? Há: a sociedade portuguesa provou, com a subida das exportações durante o ajustamento, ser capaz de procurar e aproveitar oportunidades. Mas as “reformas” – isto é, o desmantelamento dos condicionamentos que o Estado impõe ao investimento e ao trabalho – iriam incomodar demasiados grupos de interesse ligados ao poder. São, por isso, tabu. À oligarquia dá mais jeito acreditar que a prosperidade se deve exclusivamente à distribuição de dinheiro pelo Estado. E para levantar esse dinheiro no BCE, está disposta a tudo. Por enquanto, cortou o investimento e os consumos do Estado.» (daqui)

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não há cheiro de poder

joão pereira coutinho«A economia cresce. O PS pode chegar à maioria. Se não houver surpresas externas (BCE, Grécia, etc.) ou internas (vindas da esquerda ou de Belém), ser líder da oposição é cumprir o desterro do deserto sem perspectiva de um oásis. Quem se atreve ao martírio? No PSD, a tradição não engana: só há candidatos sérios quando há cheiro de poder.
O ‘crédito’ de Passos Coelho é ‘infindável’, nas palavras do imortal Marco António? Não duvido. Quando não existe melhor produto na praça, a velha Cleópatra sempre dá para os gastos.» (daqui)