como compensar uma derrota eleitoral

Paulo Ferreira«Se a cegueira ideológica da extrema esquerda não surpreende, o papel a que o PS se está a prestar neste “trabalho” não deixa de ser lamentável. Sem indústria, sem projectos com dimensão internacional que possam ser estruturantes para alguns sectores, sem unidades que induzam e apliquem a investigação e inovação que se vai fazendo nalgumas universidades, sem uma perspectiva de crescimento para as startups que vão surgindo, vamos ficar cada vez mais dependentes do investimento nómada, aquele que muda de país num estalar de dedos, com poucos custos de instalação. Ou então do turismo, que é ainda mais volátil, como os países do Norte de África podem testemunhar.

Mas sobretudo muito mais dependentes do Estado, das suas ineficiências e corporações que nunca nos levarão a lado nenhum, como já tivemos tempo de aprender.» (daqui)

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o “monstro” continua aí

nuno-botelho«A moderação, infelizmente, só não se aplica ao campo da fiscalidade. Os contribuintes voltam a ser as maiores vítimas do Orçamento. Porque há aumento de impostos indiretos, porque se confirma o “novo” IMI, porque se mantém a sobretaxa no IRS, porque se aumenta a carga para as empresas (designadamente, agravando todos os impostos que têm a ver com transportes), porque se criam novas taxas e derivadas novas de taxas antigas. Estamos entre o saque fiscal e a chaga fiscal. Já muito perto, como digo, do limite em que o Estado fará o favor de nos dotar de uma mesada, parcimoniosamente descontada aos rendimentos do nosso trabalho.

O “monstro” está portanto aí. Cada vez mais gordo, mais inchado e mais sôfrego. A culpa não é só de Bruxelas nem decorre única e exclusivamente de Sócrates e da bancarrota. Enquanto quisermos ter uma semana de 35 horas de trabalho, feriados devolvidos, reversão de medidas de contenção da despesa e anulação de concessões de empresas públicas, vamos continuar a pagar muitos e elevadíssimos impostos. Enquanto não houver uma verdadeira reforma do Estado – moralizando e emagrecendo, estabelecendo prioridades e objetivos, simplificando procedimentos e descentralizando recursos -, estaremos eternamente condenados a alimentá-lo.» (daqui)

estado social onde?

Rui-Ramos-300x300«Sim, é verdade, o governo trabalha. Precisa de distribuir dinheiro, e depois, porque não pode alienar o financiamento do BCE, precisa de ir buscar dinheiro. Esta ginástica orçamental até poderá saciar os devidos clientes e dependentes, mas acabará por estrangular a economia, quer com a invencionice fiscal que temos admirado, quer com uma incerteza que fará cada vez mais investidores e trabalhadores hesitar ou desistir. Muita gente já o disse. Mas faltará dizer que não é só a economia que se degrada.

Tem sido comentado o efeito do corte de investimento e de “consumos intermédios” na qualidade dos serviços públicos. Creio, porém, que as suas consequências para o regime ainda não foram devidamente apreciadas. O governo devolve salários ao funcionalismo, mas tira-lhe, ao mesmo tempo, os meios para desempenhar o seu papel. Não poderia haver melhor sinal de que o Estado social só interessa ao governo e à maioria como uma bolsa de clientelas e de dependentes, e não como prestador ou garante de serviços à sociedade. Em Portugal, começamos a deixar de ter um Estado social para passar a ter um Estado fundamentalmente político-eleitoral: a prioridade é acomodar clientes; os benefícios para o resto da população são incidentais. Este vai ser o orçamento desse Estado. Pede-lhes o presidente que não pensem em eleições. Mas em que mais poderiam eles pensar?» (daqui)

o nosso fado

josé manuel fernandes«Num país como Portugal, onde os liberais ainda são mais raros do que em França, e ainda mais silenciosos e envergonhados, recordar as reformas levadas a cabo pela “Dama de Ferro” é sujeitar-se a ser insultado, mas disso não tenho receio pois a verdade é que o que nós temos são muitos anos de atraso (e muitas teias de aranha na cabeça).

Num país como Portugal não se consegue entender que não haverá espaço para a economia crescer se não conseguirmos diminuir o peso da despesa pública (Thatcher fez recuar o peso do Estado de 45% para 35%) e se não desregulamentarmos a economia em vez de continuarmos a regulamentá-la e a aprisioná-la em teias burocráticas. As poucas áreas onde ocorreu alguma liberalização nos últimos anos – o mercado do arrendamento e a área do turismo – são, sem surpresa, as que mostram maior dinamismo, mas o que se discute nos jornais e prepara nos gabinetes são novos regulamentos, novas taxas e novas mordaças à inovação e ao empreendorismo.

Em quatro anos de troika vimos os famosos “hiperliberais” aumentar os impostos. Nestes dez meses que levamos de geringonça vemos os que gritaram contra esses impostos andarem num lufa-lufa para inventarem novos impostos e taxas, mesmo que o mais disfarçados possível. Só nos falta mesmo quem grite baste e, como a “Dama de Ferro”, corte a direito, firme nas suas convicções e nas suas políticas, capaz de, como ela, dizer orgulhosamente “the Lady’s not for turning”.

O nosso destino não pode ser só pagar mais impostos. Mas é isso que parece.» (daqui)

a “justiça fiscal”

Rui-Ramos-300x300«O imposto agora também é só para os “ricos”. Mas quem decide o que é um “pobre” ou um “rico”? É o poder político que decide o que somos. Amanhã, um apartamento de 150 mil euros na Amadora pode bem tornar-se, para fins fiscais, um “palacete de luxo”. Basta as finanças precisarem. E talvez precisem. A propriedade nas grandes fortunas é complexa. Os maiores investidores imobiliários vão retrair-se. Não é por isso improvável que o fisco, para arranjar receita, ainda tenha de descer mais uns degraus na escala patrimonial. Nesta roleta russa fiscal, a pistola está apontada à cabeça de todos.

O governo vive para a meta do défice, de que depende o financiamento europeu. Se o Estado gasta mais e a economia não gera mais receita, há que recorrer à “justiça fiscal”. Mas quanto mais impostos o governo aumenta, menos a economia cresce, e mais impostos precisa de aumentar. É assim a espiral recessiva por via fiscal. E o que vai acontecer à classe média, com esta carga tributária, quando o petróleo se tornar mais caro e os juros subirem? Sob este regime fiscal, Portugal pode estar a caminhar para uma despromoção social maciça, sem paralelo na nossa história. Noutros países, a classes médias podem estar a morrer; aqui, vão ser assassinadas.» (daqui)