um “não” decente

joão miguel tavares«Dizer isto não é isentar de erros Carlos Costa, Cavaco Silva, Maria Luís Albuquerque ou o próprio Passos Coelho. Uma resolução como a do BES é de tal forma complexa, e teve de ser executada com tal rapidez, que muitos erros terão sido cometidos. Além disso, não restam hoje quaisquer dúvidas de que o Banco de Portugal terá compactuado com Salgado durante demasiado tempo, apesar dos inúmeros alertas e do obsceno recebimento de “liberalidades”. Contudo, é muito fácil apontar alternativas depois dos factos consumados. Independentemente de ser possível fazer melhor, o que me interessa sublinhar aqui é esse “não” central, inédito e relevantíssimo ao Dono Disto Tudo, que conduziu à destruição, nas suas próprias palavras, “do nome Espírito Santo”, apagando “das fachadas dos prédios uma marca com mais de 140 anos”. A importância desse gesto não pode ser desvalorizada: a aparatosa queda do BES é a destruição da impunidade mais desbragada e de uma certa forma de fazer negócios, que dominou o país durante pelo menos duas décadas.» (daqui)

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costa, o novo ddt

antonio_costa4«O que se passa com o Conselho das Finanças Públicas não é diferente do que se passa com o Banco de Portugal e com a novela das nomeações para a sua administração. Estamos a falar dos ‘checks and balances’ do sistema, que só funcionam se todos perceberem a sua importância. Se o Banco de Portugal depende do BCE e, mesmo com todas as pressões, continua protegido, o Conselho das Finanças Públicas está (quase) entregue à sua sorte.

Se o primeiro-ministro estivesse muito interessado em proteger o Conselho das Finanças Públicas, tomava, ele próprio, a iniciativa de explicar ao Banco de Portugal e ao Tribunal de Contas as razões da recusa, e isso ajudaria seguramente a escolherem outros dois nomes. António Costa está a destruir a relevância daquela entidade — e são muitos, à Esquerda, a pedir a sua extinção — simplesmente porque as avaliações do Conselho vão continuar a demonstrar a necessidade de planos B e C e D para o cumprimento dos objetivos anunciados no Programa de Estabilidade. É o novo normal.» (daqui)

não acredito em coincidências…

«Não deixa de ser uma ironia do destino que o homem que nunca ligou à supervisão e que encarava o regulador do sector bancário como uma espécie de gabinete de estudos e projecções macroeconómicas tenha regressado momentaneamente de Frankfurt no mesmo dia em que Carlos Costa tinha uma audição muito difícil no parlamento. Isto porque sempre que falamos no caso BES é inevitável uma comparação com o descalabro do Banco Português de Negócios (BPN) liderado por Oliveira Costa até 2009. Não tanto pela dimensão e importância sistémica do BPN, como pela actuação do Banco de Portugal enquanto supervisor bancário. Se no caso do banco liderado por Oliveira Costa os problemas aconteceram perante o laxismo absurdo doBanco de Portugal, no do banco da família Espírito Santo o supervisor actuou mas a estratégia não resultou.» (daqui)