big brother

joão gonçalves«O regime do dr. Costa e dos seus “parasitas” parlamentares é o que há de mais parecido, em trágico-cómico, com o livro “1984” de George Orwell e com a sua personagem central: o “Grande irmão”. É vê-los, ouvi-los e lê-los. São depois revistos e aumentados pela “polícia do pensamento” que se espraia pela redacção única – dominante no grosso da Comunicação Social – a partir do “ministério da Verdade” e do “ministério do Amor”, o que mantém a “lei e a ordem”. “1984” pode declinar-se num “2017” português, escrito a várias mãos, o equivalente a uma biografia não autorizada do que para aí anda. Isto porquanto a Oposição, para além de enxovalhada diariamente pelo primeiro-ministro e por mais gente infrequentável, tem-lhes feito o favor de ajudar no guião em vez de fechar definitivamente o ciclo encerrado com a queda do XX Governo no Parlamento.» (daqui)

Anúncios

a condecoração dum herói

Banda-de-Gra-Cruz«No seu governo a dívida pública passou de 60% para mais de 100% do PIB. Em 2009, que só por coincidência era ano de eleições, Teixeira dos Santos baixou o IVA para 20% e aumentou os funcionários públicos 2,9%, fazendo o défice disparar. Tal levou a que os credores começassem a pedir cada vez mais juros, pelo que Teixeira dos Santos avisou que pediria ajuda externa se os juros atingissem 7%, o que ocorreu em Novembro de 2010. Mas Teixeira dos Santos nada fez, e só em Abril de 2011 anunciou sozinho o pedido de ajuda, quando já ninguém emprestava dinheiro a Portugal. Sócrates considerou-se traído, gritando “pelas costas, como um patife!” e cortou relações com ele, o que não impediu os dois de estarem juntos no anúncio do pedido de ajuda.

Teixeira dos Santos é assim um herói da luta contra a austeridade e o chamamento da troika. Ditosa pátria que tais filhos tem.» (daqui)

absurdo

teixeira dos santos-condecoração

«Como ministro, todos os anos, em valores absolutos, aumentou a despesa pública. Patrocinou um aumento galopante da carga fiscal aos contribuintes (fora o que acordou com a troika). Deu o beneplácito aos desvarios das PPP, aos maiores excessos da Parque Escolar e, em 2009, fez campanha alegre pelo PS (foi candidato pelo Porto) prometendo TGV e novo aeroporto de Lisboa. É um dos progenitores da aberração ruinosa que é o aeroporto de Beja.

Em 2009 ajudou o PS a comprar as eleições, desbaratando o dinheiro dos contribuintes, enquanto proferia a mentira de que o défice naquele ano seria de 5,9% (foi 10%). Em 2010, o controlo das finanças públicas já era anedota datada e reincidimos em 11,2% de défice, fazendo disparar os juros da dívida pública portuguesa – o tal fenómeno que mais tarde ditou a intervenção da troika.

Quando um Presidente – eleito pelo centro-direita – decide condecorar quem diligentemente nos trouxe até ao limiar da bancarrota e provocou um ajustamento brutal na vida dos cidadãos (na forma simpática de impostos, desemprego, diminuição de rendimentos, emigração e similares), o que dizer? Quando se premeia a imprudência, a incompetência e a mentira, o que esperar da nossa democracia?

Quando a direita eleita se comporta sem resquício de respeito pelos seus eleitores e por todos os cidadãos, concluo que de facto merece insultos. Da esquerda e da direita.» (daqui)

a lei de gresham

«A ser assim, a lei da economia, conhecida pela lei de Gresham, poderia ser transposta para a vida partidária portuguesa com o seguinte enunciado: os agentes políticos incompetentes afastam os competentes. Segundo a lei de Gresham a má moeda expulsa a boa moeda.»

ScreenShot222A 27 de Novembro de 2004, o actual Presidente da República assinava um artigo no Expresso, artigo esse que apressou a queda do governo liderado por Pedro Santana Lopes e a ascenção ao poder de José Sócrates.

É certo que aquele governo cometeu muitas gaffes, teve muitos casos mas dispunha do apoio parlamentar maioritário. Em condições normais, teria concluído a legislatura e, muito provavelmente, o PS não teria ganho as eleições legislativas (pelo menos, com maioria absoluta). Provavelmente, Sócrates nunca teria sido primeiro-ministro. Provavelmente, nunca teríamos ouvido falar de licenciaturas, de Freeport, de Cova da Beira, de Face Oculta. Provavelmente, Sócrates não estaria agora preso preventivamente. Provavelmente…

Mas a vida não é feita de “ses”. É construída com base em actos e em realidades. Por isso, e passados que são agora 10 anos da “lei de Gresham”, é caso para perguntar se a moeda que circulou a partir de 2005 era a boa moeda?