o day after

cropped-cropped-cropped-cropped-1460156_256973527793816_1581757393_n233.jpg«Em 40 anos de democracia nunca a direita governou em minoria com um Parlamento de esquerda (excepto no período 1985-1987 graças ao PRD que hoje não existe). Depois das eleições, quando o PCP ou o BE apresentarem uma moção de rejeição do programa de um putativo governo minoritário da coligação, vai o PS abster-se e viabilizar um governo dito ultraliberal e sem sensibilidade social de Passos? Ou, ganhando Costa as eleições, vai o PS entender-se com a sua esquerda, a mesma esquerda que não hesitou juntar os seus votos à direita em 2011 para derrubar o governo de José Sócrates (erro estratégico do qual o BE ainda não recuperou eleitoralmente)? Alternativamente, vai o PS entender-se com a tal direita dita ordoliberal e veremos então uma bancada da coligação cheia das caras do Governo Passos (Maria Luís, Teixeira da Cruz, Cristas, Mota Soares, Marco António, Pedro Lomba, Miguel Morgado) a viabilizar a tal aventura socialista? Ou, como não podemos repetir as eleições antes de Junho de 2016, vamos conviver com um governo de gestão, em regime de duodécimos, durante dez meses?

Penso que no dia 5 de Outubro podemos estar perante a mais grave crise institucional dos últimos 40 anos. Curiosamente, ou não, só o Presidente da República parece seriamente preocupado. Nem a comunicação social nem a opinião publicada parecem muito interessadas em forçar os partidos a esclarecer o dia seguinte. E fazem mal. Porque Portugal não acaba no dia 4 de Outubro às 19 horas.» (daqui)