«síndrome do conde de abranhos»

joaocesarneves«O problema que destruiu Sócrates, e mais cedo ou mais tarde derrubará Costa, é a secular doença lusitana. Podemos chamar-lhe a «síndrome do Conde de Abranhos». Hoje, como tantas vezes no passado, larga percentagem da população vive de benesses públicas que a economia não pode pagar. Pensionistas, funcionários, câmaras, construtoras, subsídios, dominam a situação política, para conseguir garantir as suas rendas. O aparelho produtivo acaba espremido pelas exigências das classes não produtivas.

Esta dinâmica, que há 200 anos domina a democracia portuguesa, reproduz hoje a versão de 2007, com apenas duas diferenças importantes. A primeira é que, com o PCP e o BE no poder, a atitude é mais aberta e descarada. No tempo de Sócrates ainda se falava de plano tecnológico e necessidade de crescimento. Agora apenas se referem reposições de benesses e direitos da função pública, como se o dinheiro caísse do céu.

A segunda diferença, muito mais influente, está na fonte usada para os pagamentos. Nos meados da década passada, como nos 15 anos anteriores, ainda era possível alimentar os interesses instalados com dívida externa. Hoje essa via está totalmente fechada, havendo mais a necessidade de liquidar os juros dos longos tempos de ilusão. Apesar desta terrível situação, foi ainda possível imitar a prosperidade através da redução do investimento, público e privado e a poupança em mínimos históricos. Sócrates, como Guterres e Barroso simularam o sucesso, estimulando a conjuntura pelo endividamento. Costa faz o mesmo, comendo o capital.» (daqui)

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o foguetório

josé manuel fernandes«Para já tudo vai também passando no crivo de uma Comissão Europeia “assumidamente política”, mas um dia vai estoirar-nos nas mãos sob a forma de um novo colapso por falta de crescimento sustentado, como bem sublinha João César das Neves num livro acabado de publicar. Diz o povo que enquanto o pau vai e vem folgam as costas, e é assim que fomos vivendo este ano. Assim e empurrando os problemas (e as contas) com a barriga, que para mais é volumosa. O pior é que o fazemos sem que isso nos incomode ou sem que desejemos qualquer mudança.

Viva o foguetório, viva a decadência: o que conta é que não incomodem a nossa elite, que essa tem as suas prebendas garantidas. O resto é conversa de uns desmancha prazeres como este vosso escriba. A conta pagá-la-ão os meus filhos, e isso é o que mais me custa.» (daqui)

sobre o crescimento económico

«alexandre_gouveia4Os governos portugueses, sobretudo desde a criação da Zona Euro, em 1999, entenderam que a forma certa de promover o crescimento económico e o emprego seria sobretudo através de significativos aumentos da despesa pública. O resultado desta política foi um crescimento económico quase nulo e um pedido de resgate em 2011. Mas Portugal não é caso isolado, pois é possível referir que existem nos 28 países da União Europeia dois grupos distintos: a) os que optaram por pequenos ou nulos deficits orçamentais, por dívidas públicas inferiores a 60% do PIB, e por oferecerem às suas empresas condições favoráveis de competitividade, nomeadamente com uma legislação laboral flexível, com impostos baixos, e com apoios às despesas de investigação e inovação. Estes países alcançaram, por regra, taxas elevadas de crescimento. Estão neste grupo países como a Alemanha, Irlanda, Finlândia, Áustria, ou Holanda; b) os países que optaram por grandes deficits orçamentais e elevadas dívidas públicas, ignorando, em boa medida, os factores de competitividade das empresas. Registaram, por regra, taxas de crescimento reduzidas ou mesmo nulas. Estão neste grupo de países a Grécia, Itália, Espanha e Portugal.» (daqui)

um imperativo nacional

Uma reflexão de António Carrapatoso sobre a importância do crescimento económico e de como o alcançar.

«Temos que colocar o Estado ao serviço de todos, “nacionalizá-lo”, não permitindo que continue cativo dos vários interesses privados e corporativos que o controlam, e assegurar uma sua melhor gestão. Temos que dignificar e regular a iniciativa privada “privatizando-a”, despegando-a dos favores e promiscuidades públicas. Temos que tornar todos os mercados mais flexíveis e abertos sem excessos de poderes dominantes, com uma concorrência forte e bem regulada. Temos que fazer crescer e aproveitar todo o potencial de cada português e de todos os que cá trabalham e empreendem.

Para isso, temos que criar uma sociedade e um enquadramento que estimule a iniciativa e o empenho de cada um, no Estado ou na área privada, incentivando-o, recompensando-o e responsabilizando-o na medida certa. E finalmente, temos que saber aproveitar os novos fundos Europeus dentro dos princípios aqui mencionados, estabelecendo critérios simples e transparentes para a sua atribuição e utilização e não os malbaratando como no passado.» (daqui)