como compensar uma derrota eleitoral

Paulo Ferreira«Se a cegueira ideológica da extrema esquerda não surpreende, o papel a que o PS se está a prestar neste “trabalho” não deixa de ser lamentável. Sem indústria, sem projectos com dimensão internacional que possam ser estruturantes para alguns sectores, sem unidades que induzam e apliquem a investigação e inovação que se vai fazendo nalgumas universidades, sem uma perspectiva de crescimento para as startups que vão surgindo, vamos ficar cada vez mais dependentes do investimento nómada, aquele que muda de país num estalar de dedos, com poucos custos de instalação. Ou então do turismo, que é ainda mais volátil, como os países do Norte de África podem testemunhar.

Mas sobretudo muito mais dependentes do Estado, das suas ineficiências e corporações que nunca nos levarão a lado nenhum, como já tivemos tempo de aprender.» (daqui)

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um governo de derrotados?

maria joão avillez«Anda por aí um debate mal-intencionado segundo o qual há uma de gente de má-fé que vê uma golpada, uma fraude, uma usurpação, um golpe de Estado, na concretização de um governo do PS em aliança com a esquerda radical, quando esse governo teria afinal toda a legitimidade política e eleitoral. Pela enésima vez terei que voltar ao que me choca e surpreende. E o que me choca e surpreende não é um governo desses – embora nunca o defendesse politicamente e o ache assassino para o país – mas uma coisa bem distinta e é nela que reside a diferença que me interessa neste debate: quem perdeu as eleições não pode reivindicar uma vitória e um governo como se as tivesse ganho. Ponto. Com o mistificador argumento de que somando o que nunca se anunciou que se somaria, se alcançará a estabilidade através de uma maioria de deputados no Parlamento. De uma vez por todas: a ilegitimidade de que me reclamo não radica na natureza de um governo de extrema-esquerda mas no facto de ele não ter sido votado (e menos ainda anunciado).» (daqui)