o mérito que a história irá reconhecer

«Pedro Passos Coelho pode ser obstinado, não entender que em política é preciso ter jogo de cintura e por vezes desistir de algumas batalhas para ganhar certas guerras, estar demasiado preso às suas convicções. Sobretudo não ter noção dos efeitos das decisões que tomou por não estar disposto a desviar-se um milímetro do caminho que vê como certo (veremos nas próximas semanas quanto outros, nas autarquias, estarão dispostos a moldar os seus princípios e esquecer verdades que até domingo eram absolutas). Mas, diga-se o que se disser, nenhum defeito, erro ou limitação lhe tira o mérito de ter sido o homem responsável por salvar o país no momento mais negro da sua história moderna. Acredito que, num futuro próximo, dizê-lo não dará direito a apedrejamento público, como hoje parece ser inevitável.» (daqui)

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quem todos quer convencer, acaba por não convencer nenhum

antonio_costa2«António Costa acabou por ser vítima da síndrome lisboeta, tomou a corte da capital (circuito fechado de políticos, jornalistas e comentadores) como representando todo o país e caiu na armadilha. Avançou, chiquérrimo, com uma pasta bonita, cheia de propostas, carregada de números. E, no entanto, o povo, pelo país fora, só lhe pedia uma ideia. Uma ideia de país, que fosse verdadeira alternativa à ideia que a coligação “vende”, com eficácia, ininterruptamente há quatro anos. Passos Coelho, Paulo Portas, o brasileiro que eles contrataram, quem quer que seja o responsável, sabe mais de política do que toda a máquina socialista junta. Eles vendem a ideia de que um país só sobrevive com independência se tiver as contas certas e que isso deve existir mesmo que uma parte dos portugueses tenha de ficar para trás.

Há muitos, mesmo muitos, portugueses que pensam exactamente da mesma maneira. E há quem pense que a mais importante função do Estado é não deixar ninguém desprotegido. E ainda os que procuram perceber como se pode ficar entre o meio caminho das duas coisas. É aqui que faz sentido falar de direita, de esquerda e do centro. A coligação não perde um minuto a tentar convencer a esquerda, já tem a direita consigo e agora procura ganhar votos ao centro. O PS anda perdido a tentar convencer toda a gente, não convencendo sequer quem está fervorosamente contra a ideia que a coligação defende para o país.» (daqui)