terrorismo

ng1336521_435x190«Pelo que tem sido dito por governantes, autarcas, bombeiros e gente ligada à proteção civil, há crime por detrás do que temos vivido. Falam, mas não usam as palavras certas. Fica aqui escrito. Um incendiário é um terrorista. Lançar fogo a uma floresta é terrorismo e o terrorismo, tal como o crime organizado e violento tipo mafioso, é combatido com meios próprios e excecionais que, apesar de tudo, têm tido resultados parcialmente positivos. Faça-se o mesmo no caso dos incêndios, com as adaptações necessárias. Mas atue-se de vez. Não se pode é argumentar com uma coisa e depois não se ser consequente. Se há crime organizado ou terrorismo (diferença que aqui é meramente semântica), então é importante saber o que já foi feito ou se é apenas uma atoarda para nos agravar a insegurança e disfarçar incompetências.» (daqui)

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pegar o touro pelos cornos

225px-Pedro_Passos_Coelho_1«É claro que Passos poderia perder e ver-se obrigado a sair da liderança. Talvez sim, se a derrota fosse muito pesada em termos nacionais. Mas aí teria dado a cara e sairia pela porta grande, dando o corpo às balas num momento difícil, não se furtando a responsabilidades como certos barões que se resguardam no regaço das suas vidas profissionais e das suas aparições mediáticas construídas na política. De facto, se realmente fosse derrotado em Lisboa (que está perdida de antemão), nem por isso Passos teria de ter a sua liderança comprometida, desde que (repete-se) os resultados globais no país fossem aceitáveis. Além disso, nos tempos de hoje, perder eleições nem sempre é um problema, como se prova pela marcha da geringonça que António Costa construiu depois de o PS ter ficado atrás do PSD. Na política há mais vida para além do resultado eleitoral.» (daqui)

“com ferros mata, com ferros morre”

2016-02-05-mariana-mortagua«Há muitos anos, quando foi apeado do poder de primeiro-ministro Francisco Balsemão, um homem que conhece a comunicação social melhor do que ninguém, ele recordou o velho ditado de que quem com ferros mata, com ferros morre.

É uma verdade que ainda hoje se mantém. Quem vive da imprensa e pela imprensa sem ter verdadeiramente uma base sólida de apoio, mas apenas um suporte baseado em estados de alma de uma burguesia urbana e preconceituosa que se reclama de esquerda, sujeita-se a ser vitimado por movimentos pendulares como o que atingiu Mariana e o Bloco.

O que agora sucedeu ao BE dificilmente acontecerá à instituição que é o PCP, que conta com uma base de apoio efetiva e permanente, ainda que desgastada, e que tem uma experiência política incomparável, além de conhecer bem a mentalidade real dos portugueses. Para Jerónimo de Sousa, o tropeção de Mariana foi uma benesse. Mas para António Costa foi mais do que isso. Na realidade, tratou-se quase de uma bênção divina. Acabou-se a superioridade moral. Doravante, o Bloco é um partido de poder e, pior ainda, de governo. Além do PCP, quem mais pode beneficiar com esse novo estatuto do BE é, objetivamente, António Costa e o seu PS, pois, como é sabido, a generalidade dos peixes grandes alimentam-se dos mais pequenos. É assim na vida do mar e, muitas vezes, no terreno da política.» (daqui)

amadurecimento

PSL«Com tempo e persistência, Santana recuperou a imagem e moderou comportamentos. Já não é um liberal Nova Esperança. Voltou a uma temperada social–democracia de centro-direita. Amadureceu. Mede o que diz sem deixar de ser quem é. Não avançou para Belém. Ficou–lhe a pedrinha no sapato com Marcelo, mas não alimenta uma hostilidade como a de Passos relativamente ao Presidente. Em termos políticos, sabe colocar-se sistematicamente como hipótese para alguma coisa, como agora a propósito de uma improvável recandidatura a Lisboa. Na televisão, contracena com António Vitorino. Apela a consensos e dá conselhos. A sua vida pessoal passou a ser privada. É um Santana mais branco no cabelo, mais ponderado na palavra, mais maduro. Dialogante com o PS, não é hostilizado no CDS. Todos os portugueses o conhecem e poucos o detestam. Nisso parece António Costa. Na Europa há centenas de casos de políticos renascidos. Em Portugal aconteceu com Mário Soares e agora com Marcelo. Então porque não considerar Santana Lopes, sobretudo se ele se apresentar sem a guarda pretoriana que tanto o prejudicou?» (daqui)

assunto de regime

assembleia_da_republica_61«A avaliação dos portugueses sobre o caso Sócrates não iliba o ex-governante, mas fundamenta a tese de que os políticos são todos iguais e uma corja que vive à grande, à conta dos pequeninos. Trata-se mais disto do que de focar culpas num único partido.

Aliás, ninguém ignora que em todos os partidos de poder houve casos escabrosos e escandalosos dos quais apenas uma ínfima parte levou a condenações judiciais. Só essa situação gerou uma percepção de que a corrupção é generalizada em Portugal e noutros países, como a Espanha aqui ao lado. E, apesar de tudo, não foi por isso que entre nós as eleições deixaram de ser ganhas em alternância pelos mesmos partidos.

O tema Sócrates não é um caso só do PS. É, na realidade, um assunto de regime que tem fatalmente de mexer com toda a classe política e com os interesses económicos com que esta promiscuamente convive.» (daqui)