os “doutores”

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Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém

Iniciei, há precisamente oito anos, o meu percurso académico no ensino superior politécnico como aluno do curso de Administração Pública da Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, grau de licenciatura que concluí nos três anos previstos no plano de estudos. Para além da frequência positiva a todas as unidades curriculares, tive ainda que redigir, apresentar, discutir e defender um trabalho final de curso, para que pudesse concluir a licenciatura com sucesso. Não usufruí, por isso, de qualquer tipo de ajuda para a conclusão do curso.

Quando me candidatei ao ensino superior, incentivado por amigos, foi com o objectivo de enriquecimento pessoal e, também, porque na altura estava envolvido na política autárquica e acreditava que a licenciatura seria uma mais-valia. Nunca o fiz por vaidade, nem muito menos para que me pudessem tratar por “senhor doutor”, coisa, aliás, que abomino!!! Doutores, para mim, são os licenciados em medicina e, quanto muito, os advogados. Doutores são aqueles que, com base num trabalho de investigação científica, são aprovados nas rigorosas provas de doutoramento. Todos os que terminam uma licenciatura são, apenas e só, licenciados!

Somos um país onde possuir um título significa mais do que se ser alguém. É neste afã de se querer ser “doutor” a todo o custo que uns que obtém umas creditações e concluem, num único ano, os três da licenciatura; outros são-lhes feitos exames aos domingos; e outros, ainda, que apesar de nunca terem terminado a licenciatura, também são tratados por “doutor”!!!

E esta, hein???

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quem responderá?

universidade-lusofona«Mas os escândalos ganharam outros contornos com as notícias sobre um político que chegou a primeiro-ministro e teve a facilidade de fazer o curso durante o fim-de-semana, ou de outro político, que também chegou a ministro, e teve a oportunidade de apresentar créditos, leia-se currículo, como equivalência para várias disciplinas.

Isto é: passou sem fazer as cadeiras. Com os novos dados apresentados esta semana – refira-se que toda a comunicação social cumpriu o embargo combinado entre os seus pares até à meia-noite de terça-feira –, a Universidade Lusófona fica em muito maus lençóis. O i apurou que Nuno Crato, ministro da Educação, pondera fechar a universidade, mas só quer lançar a bomba atómica em última instância. Mais uma vez se pergunta: quem responderá pela vida profissional de todos aqueles que serão prejudicados por estas trapalhadas de reitores e quejandos?» (daqui)