um lembrete para as próximas eleições

antonio.ferreira«Os portugueses, que acompanham com muita atenção o que se passa na Grécia, já perceberam com certeza que as regras da moeda única não só não vão mudar como não vão ficar mais flexíveis, como anda por aí a vender o líder socialista António Costa. Não há alternativa ao Tratado Orçamental e às suas regras. As contas têm de estar equilibradas, os défices claramente abaixo dos 3%, e os países devem apresentar excedentes orçamentais primários para tornar as dívidas públicas sustentáveis.

A promessa socialista de encher os bolsos dos portugueses de dinheiro para aumentar o consumo, fórmula mágica de fazer crescer a economia e o emprego, é o caminho certo para o desastre. A promessa socialista de voltar ao investimento público para aumentar o emprego e o PIB é o caminho certo para o país voltar ao desastre não só de 2011 como de 1976 e 1983.

Os portugueses devem lembrar-se que o país já caiu três vezes na bancarrota em 41 anos de democracia. Se cair na quarta, sai do euro e entra no caos e na miséria. Na hora do voto, a Grécia deve estar na ponta da caneta.» (daqui)

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um bluff que correu mal

grecia-euro«Para já, temos de ser claros e não ter medo das palavras. O governo grego capitulou em toda a linha. Jogou, ameaçou, fingiu, desafiou, insultou, arriscou e, no fim, percebeu-se que tudo não passou de um enorme “bluff”. O Syriza ameaçou ser a arma de destruição maciça do euro, o bombista-suicida que poderia fazer implodir o euro e uma parte do projecto europeu se as suas condições não fossem aceites. Afinal, a última coisa que Atenas queria era sair do euro. Afinal, a última coisa de que Atenas pode prescindir é do financiamento dos restantes países do euro para sobreviver. Afinal, o único plano económico e financeiro que Tsipras tem desde o início é pedir dinheiro aos mesmos de sempre pelo menor encargo possível. E quando não se tem um plano B, quando não se está verdadeiramente disposto a virar o tabuleiro do jogo e sair porta fora, quando não se sabe o que fazer se aquela negocição falhar mesmo não se coloca a fasquia à altura que Atenas a colocou.» (daqui)

tragédia grega

syriza1«Desde que foi eleito, há cerca de seis meses, o governo grego ainda não começou a fazer o seu trabalho: governar. Aquele grupo de intelectuais e “revolucionários” burgueses e urbanos não faz a mínima ideia do que é governar; e a Grécia não tem governo desde o fim do ano passado. Tem um grupo de irresponsáveis que fala muito, queixa-se de tudo e passa o tempo a discutir. A única coisa que não fazem é trabalhar. Nem sequer foram capaz de tomar medidas para combater a corrupção ou a evasão fiscal. Nunca se fugiu tanto aos impostos na Grécia como agora. Mas aprenderam rapidamente os truques dos partidos que sempre atacaram. Por exemplo, dos doze diretores regionais nomeados pelo ministério da Educação, dez são do Syriza e um pertence aos seus aliados nacionalistas. Por outro lado, a economia e a situação fiscal estão bem pior do que há seis meses.  Resultado: nada melhorou; e o que estava a melhorar, piorou (e muito).» (daqui)

15 anos depois, o que importa

corrupção11«Em 1999 e 2000, estávamos bem longe de imaginar que estaríamos, hoje, quinze anos depois, com muitos défices acumulados, uma dívida pesada, fruto também de muitos erros cometidos, muitas promessas por cumprir, no fim de um ciclo.

Podemos tentar ser indiferentes, podemos prometer pagar dívidas privadas, podemos aflorar os cofres cheios e os bolsos vazios, mas desenganem-se os que pensam que “É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”. O debate político deste ano, com duas eleições no horizonte, legislativas e presidenciais, vai estar centrado na corrupção e na pobreza.

Não são temas com cara de século XXI? Pois não. Seriam temas que já deveriam estar resolvidos. No entanto, em Portugal, a degradação das instituições da República é por demais evidente.» (daqui)

quem decide?

Rui-Ramos-300x300«Até à vitória do Syriza, não havia modo de testar estes contrafactuais. Agora, há. Se a Alemanha e os países do norte cederem ou parecer que cedem à chantagem grega, António José Seguro, António Costa, o PCP e o BE vão dizer que tinham razão, e que a austeridade poderia ter sido evitada, se Passos tivesse a atitude de Tsipras e Gaspar o estilo de Varoufakis.

Pelo contrário, se Tsipras for derrotado ou parecer que foi derrotado, Passos há-de alegar que Seguro, Costa e os outros estiveram sempre errados e que por outro caminho teríamos encontrado ainda mais pedras, cardos e urtigas.

Ou seja, o debate das nossas eleições legislativas deste ano pode ser decidido na Grécia. O que é pena, porque estaremos assim a escapar à questão principal, que é a de saber como queremos viver: numa democracia pluralista com uma economia aberta integrada numa UE de democracias pluralistas com economias abertas? Ou de outra maneira?

É que Tsipras não é apenas aquele rapaz sem gravata que não queria pagar a dívida grega. Tsipras é o líder da esquerda radical que não hesitou em aliar-se à extrema-direita xenófoba e que elogia a Venezuela de Chávez, onde a oposição está na prisão e as prateleiras estão vazias, como um “modelo” para a esquerda.» (daqui)