big brother

joão gonçalves«O regime do dr. Costa e dos seus “parasitas” parlamentares é o que há de mais parecido, em trágico-cómico, com o livro “1984” de George Orwell e com a sua personagem central: o “Grande irmão”. É vê-los, ouvi-los e lê-los. São depois revistos e aumentados pela “polícia do pensamento” que se espraia pela redacção única – dominante no grosso da Comunicação Social – a partir do “ministério da Verdade” e do “ministério do Amor”, o que mantém a “lei e a ordem”. “1984” pode declinar-se num “2017” português, escrito a várias mãos, o equivalente a uma biografia não autorizada do que para aí anda. Isto porquanto a Oposição, para além de enxovalhada diariamente pelo primeiro-ministro e por mais gente infrequentável, tem-lhes feito o favor de ajudar no guião em vez de fechar definitivamente o ciclo encerrado com a queda do XX Governo no Parlamento.» (daqui)

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descrédito completo

«Trump dá muito jeito à geringonça e ao bufão presidencial. A constante histeria sobre os EUA desvia o olhar de Portugal. Olha-se para longe, faz-se uma declaração grandiloquente contra o “ditador” que ameaça a “democracia” enquanto valor abstracto e, no final do dia, dá-se pouca importância aos casos concretos que destroem aqui em Portugal o respeito pela nossa III República.

O caso Centeno é claríssimo a este respeito. Ao não demitir um ministro que mentiu ao pais, Costa contribui para o tal descrédito das instituições que levam à abstenção, ao populismo, etc. O curioso é que muita gente vai defender Centeno numa lógica tribal. Estamos a falar de pessoas que passam o dia inteiro a xingar o novo presidente americano. Trump é uma bela muleta.» (daqui)

fazer política

225px-Pedro_Passos_Coelho_1«Costa prometeu a todos os portugueses que a geringonça seria uma maioria política estável e confiável. Isso significa que não precisa nem do PSD nem do CDS para governar. Sei que não é fácil para Costa cumprir as suas promessas, mas o regresso de Passos à política coloca-o sob pressão. O PM terá que demonstrar que a geringonça continua a ser uma maioria estável. E há aqui um teste fundamental para o futuro da política portuguesa. Quando o PSD está com o CDS no governo, não precisa de pedir ao PS para aprovar medidas por falta de comparência dos democratas-cristãos. Se o PS precisa do PSD quando se alia aos comunistas e aos bloquistas, então a geringonça ainda não tem a maturidade suficiente para governar Portugal. Cresçam, sejam responsáveis e aprendam a governar sem pedirem ajudas ao PSD e sem fazerem queixinhas. Passos voltou a fazer política. Habituem-se.» (daqui)

o essencial

josé manuel fernandes«Em 2015, ano em que a economia cresceu 1,6%, proclamava-se que era necessário “romper com a resignação perante o empobrecimento”. Agora que se prevê que a economia cresça ainda menos em 2016 e 2017 justifica-se tudo com a “conjuntura económica internacional”, o eterno bode expiatório dos socialistas.

O essencial não é desenhar uma política coerente e apontar um rumo para o país — o essencial é ter sempre um discurso afinadinho que permita justificar os fracassos e as reviravoltas. É só isso que, de resto, se consegue espremer das muitas entrevistas que primeiro-ministro e vários ministros deram nas últimas semanas.

O essencial é também manter o barco à tona de água, o que se faz atirando para o futuro os problemas e esperando que o medo do regresso ao poder do PSD e do CDS contenham as ambições de um Bloco de Esquerda que já anunciou que vai aprovar um orçamento que não é de esquerda e acalmem um PCP cujos sindicalistas estão estranhamente silenciosos mesmo quando é evidente a degradação dos sacrossantos “serviços públicos”.» (daqui)

o “monstro” continua aí

nuno-botelho«A moderação, infelizmente, só não se aplica ao campo da fiscalidade. Os contribuintes voltam a ser as maiores vítimas do Orçamento. Porque há aumento de impostos indiretos, porque se confirma o “novo” IMI, porque se mantém a sobretaxa no IRS, porque se aumenta a carga para as empresas (designadamente, agravando todos os impostos que têm a ver com transportes), porque se criam novas taxas e derivadas novas de taxas antigas. Estamos entre o saque fiscal e a chaga fiscal. Já muito perto, como digo, do limite em que o Estado fará o favor de nos dotar de uma mesada, parcimoniosamente descontada aos rendimentos do nosso trabalho.

O “monstro” está portanto aí. Cada vez mais gordo, mais inchado e mais sôfrego. A culpa não é só de Bruxelas nem decorre única e exclusivamente de Sócrates e da bancarrota. Enquanto quisermos ter uma semana de 35 horas de trabalho, feriados devolvidos, reversão de medidas de contenção da despesa e anulação de concessões de empresas públicas, vamos continuar a pagar muitos e elevadíssimos impostos. Enquanto não houver uma verdadeira reforma do Estado – moralizando e emagrecendo, estabelecendo prioridades e objetivos, simplificando procedimentos e descentralizando recursos -, estaremos eternamente condenados a alimentá-lo.» (daqui)