o que está realmente em causa

helena-garrido«Perante estes factos, a defesa dos interesses dos trabalhadores aparece como um sub-produto do objectivo principal: a CGTP, afecta ao PCP, quer controlar sindicalmente a Autoeuropa que até agora estava sob a influência do Bloco de Esquerda. Esta é a principal batalha que se desenrola na fábrica e para a qual cada parte está a mobilizar as suas tropas. A defesa dos interesses de quem trabalha na fábrica está em segundo plano. Caso exista um conflito entre os dois objectivos, vai dar-se prioridade ao que garantir a vitória do sindicato e não dos trabalhadores.

São estas batalhas, que colocam os interesses partidários acima dos interesses dos trabalhadores, que têm contribuído para a desacreditação dos sindicatos, enquanto organizações de defesa de uma das partes que integra a comunidade empresa. Mas há também outros factores mais recentes, como o individualismo e na era actual a arma letal para os sindicatos que é a nova organização do trabalho simbolizada pela Uber.» (daqui)

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o fim de uma era

IMG_0791-0«Quando o Estado sair da empresa, qualquer greve terá consequências na rentabilidade e obrigará o privado a fazer reestruturações para compensar os prejuízos. E como quem fala em reestruturações fala em despedimentos, é natural que as greves tenham os seus dias contados. Não só na empresa como no sector dos transportes.

Para já não falar das falsas greves gerais que eram medidas apenas pelas filas de trânsito nas grandes cidades. Despeçam-se das greves, fanáticos. E dos privilégios. Boa sorte e bom trabalho.» (daqui)

ainda a greve na tap

sensivelmente idiotaUma carta aberta, escrita por Diogo Faro e publicada na coluna “Sensivelmente Idiota” do jornal Sol, e a qual subscrevo na íntegra.

«Faltei ao casting, não vi o meu filho nascer nem o meu avô fazer anos. Demorei mais dias a ir cuidar da minha mãe, fiquei muito menos tempo no Brasil, cancelei concertos e palestras. Deixei as saudades a latejar no peito e adiei ambições.

Porquê? Por causa da vossa birra. Por causa do vosso ganguezinho bem fardado e manipulado pelo sindicato dos pilotos que quer mais e mais, sem olhar a meios, sem olhar à volta, sem olhar para nada que não seja o seu umbigo.
Para quem faz da sua vida ter o mundo à sua frente, até entristece perceber que vivem num mundo só vosso, num mundo tão tacanho.

Andarem lá em cima não faz com que possam achar que todos os outros são mais pequeninos que vocês.

Que isto tudo vos corra mal.
Até um dia destes.»

ainda sobre a greve dos pilotos da tap

tap«Escrever sobre esta greve é um pouco como chover no molhado – já toda a gente se mostrou tão surpreendida como indignada. Escrever sobre ela no dia de uma tragédia como a que foi vivida no Mediterrâneo, pode parecer fútil. Mas mesmo assim faço-o, e por uma razão simples: o conflito que hoje enfrentamos é, em boa parte, uma herança de uma decisão política tomada em véspera de eleições, e suspeito que só aconteceu para não prejudicar os resultados eleitorais do partido então no governo. Bem sei que não foi caso único na história da nossa democracia, mas como ilustra bem a forma como, muitas vezes, a demagogia trata de condicionar a democracia, tal como ilustra bem a forma como se pode actuar com a maior hipocrisia política, é importante recordá-lo. Porque está esquecido e porque estamos, de novo, num tempo eleitoral.» (daqui)