o regresso das grandiosas obras públicas

josé gomes ferreira«A doutrina oficial vai pregando que os 700 milhões de euros (700 milhões, coisa pouca!) que o novo Terminal de Contentores do Barreiro vai custar, vão ser pagos pelos investidores privados.

Todos sabemos que não é verdade. Entre financiamentos públicos e garantias de Estado, quem vai pagar é o contribuinte português. Depois, os privados poderão ficar a gerir e a arrecadar os lucros, enquanto o negócio der (o que não é garantido). Se o negócio deixar de dar, vão-se embora e nós ficamos com mais uma PPP às costas.

Foi assim até agora com as PPP rodoviárias, com os terminais multi – modais, com as plataformas logísticas, com o Aeroporto de Beja. Que razão haverá para não voltar a ser assim? Nenhuma…» (daqui)

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ao cuidado da classe política

km«Parte da culpa pode ser razoavelmente atribuída aos fundos europeus e à indústria rentista que se gerou em torno deles, em especial num país com instituições débeis e uma cultura de nepotismo e irresponsabilidade profundamente enraizada. Mas a culpa foi também da classe política e de uma opinião pública permissiva e com falta de sentido crítico. Se tivéssemos aprendido alguma coisa com o passado, deveríamos estar por estes dias a assistir a declarações de todos os líderes políticos com aspirações a governar assegurando que não voltarão a cometer os mesmos erros e que as obras públicas serão devidamente limitadas, escrutinadas e validadas, na medida do possível, por análises custo-benefício credíveis. Ao invés, parece que bastou haver alguns sinais de alívio para os ventos da irresponsabilidade voltarem a soprar. Tal como no passado, não haverá multiplicador que nos salve.» (daqui)