deserção cívica e liberdade de expressão

joão miguel tavares«Primeira lição a tirar deste caso: a deserção cívica é o primeiro passo para os extremistas imporem a sua lei.

Segundo lição a tirar deste caso: a luta pela liberdade de expressão é um dos combates mais sérios e necessários dos nossos dias. Aquilo que se está a fazer em nome de uma agenda progressista é promover o exercício da censura nos espaços que nasceram para estimular o debate intelectual livre. Ler a acta da RGA que impediu Nogueira Pinto de falar, o conteúdo da moção que foi aprovada e a subsequente justificação da associação de estudantes é chocante, desde logo porque encaixa como uma luva na vergonhosa cultura dos trigger warnings e atenta contra a mais básica lição de John Stuart Mill: silenciar uma opinião é roubar a humanidade do seu mais valioso património, pois se essa opinião estiver certa perdemos uma oportunidade de corrigir a nossa própria opinião, e se essa opinião estiver errada perdemos uma oportunidade de denunciar a sua falsidade.» (daqui)

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o medo

jaime-nogueira-pinto«Não foram as ameaças a impedir a conferência de Jaime Nogueira Pinto. Foi o medo. Foi a conivência. Foi o reconhecimento da superioridade da extrema-esquerda. Caso Jaime Nogueira Pinto tivesse sido ameaçado por ultras de direita, neste momento a sua conferência não só teria lugar como até aconteceria num espaço mais solene. Diversos colegas, os dirigentes das juventudes partidárias, catedráticos de outras faculdades e os eleitos das associações de estudantes marcariam presença nessa conferência transformada em acto de desagravo e de força, do lado da liberdade. Todos fariam declarações inflamadas para os jornalistas que as repetiriam enfaticamente. Obviamente aqueles que tinham procurado impedir a conferência meteriam a violinha no saco e apareceriam a dizer que tudo aquilo não passara de um enorme mal-entendido.

Mas, como Jaime Nogueira Pinto foi ameaçado pela extrema-esquerda, nada disso acontece. Antes pelo contrário, a anulação da sua conferência é apresentada como um gesto de bom senso perante as tais ameaças e, o que não é dito mas está implícito, também perante as ideias de Jaime Nogueira Pinto e de quem o convidou, ideias essas que têm o condão de irritar aquelas almas inflamadas mas bem intencionadas. Aliás, se nós formos bonzinhos, fofinhos, queriduchos eles não se irritam. São até bons rapazes. Vejam como eles se portam bem nas conferências do professor Boaventura!» (daqui)