um homem com a “vertigem do risco”

Sá-Carneiro«Devemos-lhe a integração tranquila e democrática da direita no regime, somente cinco anos após a revolução. O paralisante Mota Amaral disse uma vez que Sá Carneiro tinha a “vertigem do risco”. Infelizmente, muitos dos que se reclamam da “herança” que não deixou, porque era atípico disto, nunca a tiveram e jogaram sempre pelo seguro. Sá Carneiro tinha os olhos exigentes do futuro e, sem pretensões de infalibilidade matemática, arriscava quase sempre no limite. Por exemplo, ninguém o veria na “comissão de instalados” contra Santana Lopes que ornamenta, pela negativa, a candidatura Rio no PSD. Ali, não há vestígio de ruptura democrática ou de inconformismo reformista, afinal o programa não escrito do PPD/PSD e de Sá Carneiro.» (daqui)

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big brother

joão gonçalves«O regime do dr. Costa e dos seus “parasitas” parlamentares é o que há de mais parecido, em trágico-cómico, com o livro “1984” de George Orwell e com a sua personagem central: o “Grande irmão”. É vê-los, ouvi-los e lê-los. São depois revistos e aumentados pela “polícia do pensamento” que se espraia pela redacção única – dominante no grosso da Comunicação Social – a partir do “ministério da Verdade” e do “ministério do Amor”, o que mantém a “lei e a ordem”. “1984” pode declinar-se num “2017” português, escrito a várias mãos, o equivalente a uma biografia não autorizada do que para aí anda. Isto porquanto a Oposição, para além de enxovalhada diariamente pelo primeiro-ministro e por mais gente infrequentável, tem-lhes feito o favor de ajudar no guião em vez de fechar definitivamente o ciclo encerrado com a queda do XX Governo no Parlamento.» (daqui)

farto…

NunoMelo«Fica então explicado que quando o PSD e o CDS detinham uma maioria expressa em mandatos, confirmada pública e formalmente no apoio ao Governo da coligação, Jorge Sampaio tenha dissolvido o Parlamento, cinco meses depois de dada posse a Pedro Santana Lopes. Estava farto, farto, farto. E porque estava farto, mandou a Constituição às “urtigas”. Isto é, não demitiu o Governo, pela simples razão de que não podia. E não podendo, como confessado 12 anos mais tarde, fez batota e dissolveu o Parlamento, sem razão objetiva que lhe pudesse ser imputável. Valorizou o capricho. Fê-lo, com a mesma facilidade com que atribuiu condecorações a metro – 2374 em 10 anos, à média de duas por dia – entre elas a Camilo Mortágua, Grande Oficial da Ordem da Liberdade, apesar dos assaltos, apesar das mortes, apesar da LUAR, apesar das ocupações e a Isabel do Carmo, com a mesma Ordem, apesar das Brigadas Revolucionárias e apesar de mais assaltos, em abundantes episódios de vidas cheias que por certo, na avaliação, deixaram Jorge Sampaio eufórico. Entre estados de alma, as coisas passaram-se assim.» (daqui)

o “monstro” continua aí

nuno-botelho«A moderação, infelizmente, só não se aplica ao campo da fiscalidade. Os contribuintes voltam a ser as maiores vítimas do Orçamento. Porque há aumento de impostos indiretos, porque se confirma o “novo” IMI, porque se mantém a sobretaxa no IRS, porque se aumenta a carga para as empresas (designadamente, agravando todos os impostos que têm a ver com transportes), porque se criam novas taxas e derivadas novas de taxas antigas. Estamos entre o saque fiscal e a chaga fiscal. Já muito perto, como digo, do limite em que o Estado fará o favor de nos dotar de uma mesada, parcimoniosamente descontada aos rendimentos do nosso trabalho.

O “monstro” está portanto aí. Cada vez mais gordo, mais inchado e mais sôfrego. A culpa não é só de Bruxelas nem decorre única e exclusivamente de Sócrates e da bancarrota. Enquanto quisermos ter uma semana de 35 horas de trabalho, feriados devolvidos, reversão de medidas de contenção da despesa e anulação de concessões de empresas públicas, vamos continuar a pagar muitos e elevadíssimos impostos. Enquanto não houver uma verdadeira reforma do Estado – moralizando e emagrecendo, estabelecendo prioridades e objetivos, simplificando procedimentos e descentralizando recursos -, estaremos eternamente condenados a alimentá-lo.» (daqui)

direito de inventário

Lisboa_Lisbon_headquarter_Caixa_Geral_dos_Depositos«Os portugueses têm o direito de saber, com nomes e números, quem foram, nos anos que prejudicaram a instituição, os responsáveis pelos créditos concedidos sem as necessárias garantias, se houve motivação política nessas decisões, se aconteceram, e porquê, grandes perdões de dívida e quem são hoje os principais devedores incobráveis – alguns dos quais andam por aí de costas direitas, com ar de gente séria.

A Caixa é uma coisa demasiado importante para que os erros de quem por lá passou possam ser iludidos, numa espécie de voluntária amnésia para absolver os vícios políticos do sistema. E, se o Governo e alguns partidos se mostrarem relutantes a fazê-lo, o presidente da República deveria lembrar-lhes essa responsabilidade. O país ficaria grato.» (daqui)