perguntas que incomodam

foto_laurindaalves«Perante esta realidade é impossível não olhar com perplexidade para o cúmulo de excessos, mas também é impossível não nos interrogarmos. Algumas perguntas têm que ficar a fazer eco e a incomodar-nos. Questões sobre quem organiza tudo isto, naturalmente, mas também sobre as relações entre pais e filhos, alunos e professores, amigos e amigas. As famílias já não são o que eram e, por isso, ninguém sabe até que ponto uma rapariga ou um rapaz têm condições para entender o impacto daquilo que estão a viver. Muito menos para fazerem a sua catarse pós-ressaca, no caso de terem consciência do que viveram durante a bebedeira.

Estes rapazes e estas raparigas são jovens e têm um futuro pela frente. Muitos deles virão a ser pais, terão os seus filhos e as suas filhas, e uma das grandes interrogações também passa por saber como agiriam se soubessem que as suas próprias filhas se vendem por um par de shots ou de cervejas. Neste tempo, em que são filhos, entram no jogo e estabelecem os seus valores e preços, mas será que gostariam que a sua filha se prostituísse e fosse filmada enquanto se prostituía? E será que não se angustiariam com o facto de essas imagens ficarem para sempre na net?» (daqui)

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simplesmente, pai!

Outubro de 1972, com o meu Pai«Infelizmente nenhum pai dura para sempre. Nunca saberemos quando será o seu último dia, mas esse dia chega muitas vezes quando menos esperamos. Acordamos com pai e adormecemos órfãos. Assim mesmo. E no momento em que o perdemos, percebemos que não estávamos preparados. Por mais velho que seja, parece que nunca é suficientemente velho para partir. Egoisticamente apetece que fique connosco muito mais tempo, até para podermos ainda reparar alguma coisa que, porventura, precise de ser reparada ou feita de novo. Ser pai e ser filho implica perdoar e ser perdoado. Exige aceitação e perdão, pois nenhum pai é perfeito e nenhum filho é sem mancha. E o tempo é, como dizia Yourcenar, um grande escultor. O tempo serve para nos afastarmos e voltarmos a aproximar, porque há realmente um tempo para tudo. E é esse tempo que apetece aproveitar, mas nem sempre nos é dado. Ou não é dado a todos na mesma medida.» (daqui)