os lesados dos lesados

antonio_galamba_3«Por maior que possa ser o sentido de justiça, o resquício de coerência e o sentido de resposta ao presente, é um contrassenso deixar instalar a perceção de facilitismo, de que é possível tudo, para depois o Estado não conseguir responder às suas responsabilidades urgentes e emergentes em questões fundamentais para a integridade física e a segurança das pessoas e dos bens.

Agora que o outsourcing de um consultor do primeiro ministro anunciou uma solução a meses para os lesados do BES, é bom que se tenha a consciência de que o perfil da gestão governativa e do facilitismo dos apoiantes da solução é gerador de novos lesados do Estado, que somam aos de sempre, estruturais, esquecidos e sem relevância eleitoral que baste. Os que estão fora do sistema e do radar eleitoral de quem busca pouco mais que a sobrevivência política.» (daqui)

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lesados de portugal

joão miguel tavares«Inspirado na Associação dos Lesados e Indignados do BES, eu próprio estou a pensar criar a Associação dos Lesados e Indignados de Portugal. Com ligeiras adaptações, os objectivos são iguaizinhos. A associação dos lesados do BES tem como missão (está no seu site) “mediar o processo de reembolso de papel comercial do GES, vendido de forma enganosa e fraudulenta, como depósitos a prazo, a clientes de retalho aos balcões do BES”. A associação dos lesados de Portugal terá como missão mediar o processo de reembolso dos impostos, sacados de forma enganosa e fraudulenta, com a promessa de um país mais justo e sustentável, aos eleitores nacionais. Os lesados do BES “partilham o sentimento de engano, pela forma como os produtos foram vendidos, sendo que sempre foi dito ‘isto é como depósitos a prazo’, ‘isto é seguro’, ‘isto é Espírito Santo’.” Os lesados de Portugal partilham o sentimento de engano, pela forma como os programas eleitorais foram vendidos, sendo que sempre foi dito ‘isto é pelo bem do país’, ‘isto é seguro’, ‘isto é o Estado Social’.” Os lesados do BES foram enganados pelo primeiro-ministro, pelo ministro das Finanças, pelo Presidente da República e pelo governador do Banco de Portugal. Os lesados de Portugal foram enganados exactamente pelas mesmas pessoas, só que mais vezes e durante mais anos.» (daqui)