o dilema do PSD

joão miguel tavares«O desejo de viver num país emancipado do Estado-Papá é abundante e politicamente motivador, sobretudo para quem não vive de rendimentos públicos. Mas não é claro se este pensamento, que também é o meu, consegue ultrapassar as curtas margens de uma elite intelectual, urbana e burguesa, com muita força para mobilizar opiniões mas muito pouca força para mobilizar votos. A verdade é esta: falta testar o liberalismo em tempos de crescimento económico, e é perfeitamente possível que os cortes no intervencionismo estatal só sejam aceites pelos portugueses em casos de absoluta inevitabilidade – como aconteceu com a intervenção da troika –, não correspondendo a qualquer vontade estruturada de modificar o statu quo.

O dilema do PSD é profundo e a tentação das “ambiguidades diluidoras” demasiado forte. Entre um partido ideologicamente diferenciado mas condenado à oposição, e um partido ideologicamente indiferenciado mas com esperança de regressar mais depressa ao poder, duvido que os militantes do PSD optem pela clareza ideológica. Aliás, este é um combate tanto político quanto geracional, com os velhos barões apegados a uma ideia (já meio mitológica) de social-democracia cavaquista, e os jovens turcos a sonharem com uma democracia liberal europeia. Gostava muito que ganhassem os segundos. Desconfio que vão ganhar os primeiros.» (daqui)

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