há eleições autárquicas no outono

luis-conraria-aguiar«Quando se aproximam as eleições, especialmente em eleições renhidas, os políticos no poder usam a política orçamental para captar mais votos, ou seja, ajustam o ciclo orçamental ao ciclo eleitoral. Isto é verdade quer a nível local quer a nível nacional.

Seria de esperar que, com o tempo, os eleitores fossem percebendo a manipulação e parassem de se deixar enganar. No entanto, não é fácil; os Veiga também demonstraram que, com o passar do tempo, os políticos se tornam mais eficientes na arte de manipular os ciclos orçamentais. Basicamente, vão aprendendo quais são as rubricas que mais votos dão, nomeadamente o tipo de obras públicas que mais capta a atenção dos eleitores. Não é preciso grande esforço para perceber que esta manipulação do ciclo económico, podendo ser vantajosa sob um ponto de vista eleitoral, tem, a longo prazo, efeitos económicos predominantemente negativos.» (daqui)

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regresso ao passado

luis-conraria-aguiar«Infelizmente, os nossos problemas estruturais não são radicalmente diferentes dos que tínhamos em 2013. Apesar de termos anulado o nosso défice externo, o país continua altamente endividado; os sectores de actividade protegidos continuam protegidos; as entidades supervisoras e reguladoras não se tornaram mais eficazes; continua a porta giratória entre reguladores e regulados; continua por fazer um ataque severo às rendas das PPP mais escandalosas (e cada vez há menos condições institucionais e políticas para as fazer); foi adiada sine die a discussão séria e profunda sobre a Segurança Social e, finalmente, o nosso sector bancário continua de rastos. Como corolário, a nossa taxa de crescimento é tão medíocre como tem sido desde o ano 2000.

Quem, como eu, acredita que um dos principais entraves ao crescimento de Portugal foi o capitalismo clientelar que se desenvolveu nos anos 90, com relações de conluio entre grandes empresas (em especial nos sectores não-transaccionáveis), banca e política, não pode deixar de ficar assustado com as soluções que vão sendo encontradas para o sector bancário. Depois de alguns primeiros sinais com a resolução do BANIF, protegendo os grandes interesses com, a solução encontrada para os lesados do BES, em que dinheiro dos contribuintes se arrisca a ser usado para salvar aplicações de centenas de milhares de euros em empresas do Grupo Espírito Santo, é a demonstração cabal de que esses tempos estão de volta. É a reversão do não de Passos Coelho a Ricardo Salgado.» (daqui)

rabbit season

d608c4b797b48b74f9ab34c5aa09eb4e«Apenas estou a dizer que, apesar de erros pelo caminho, Coelho conseguiu, no meio da tempestade, levar Portugal a um porto aceitável, o que, em dados momentos, poucos considerariam provável. E, apesar de governar num período tão difícil, Coelho “ganhou” as últimas eleições.

Dir-me-ão que é o momento de virar a página no PSD. Que o anúncio do Diabo em 2016 correu mal. Mas, infelizmente, basta ver como as taxas de juro da dívida portuguesa têm evoluído nos últimos tempos (actualmente, nos 3,9%), como o BCE tem vindo, paulatinamente, a recuar na sua política monetária (que foi um autêntico balão de oxigénio para Portugal) e como se discute com cada vez mais insistência uma reestruturação da dívida para perceber que nunca o Diabo esteve tão próximo. Na verdade, o grande defeito de Passos Coelho é, ao mesmo tempo, simples e difícil de superar: ninguém quer que ele tenha razão.» (daqui)