não acredito em coincidências…

«Não deixa de ser uma ironia do destino que o homem que nunca ligou à supervisão e que encarava o regulador do sector bancário como uma espécie de gabinete de estudos e projecções macroeconómicas tenha regressado momentaneamente de Frankfurt no mesmo dia em que Carlos Costa tinha uma audição muito difícil no parlamento. Isto porque sempre que falamos no caso BES é inevitável uma comparação com o descalabro do Banco Português de Negócios (BPN) liderado por Oliveira Costa até 2009. Não tanto pela dimensão e importância sistémica do BPN, como pela actuação do Banco de Portugal enquanto supervisor bancário. Se no caso do banco liderado por Oliveira Costa os problemas aconteceram perante o laxismo absurdo doBanco de Portugal, no do banco da família Espírito Santo o supervisor actuou mas a estratégia não resultou.» (daqui)

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propostas concretas

«Na altura em que os portugueses mais precisam de propostas concretas para Portugal sair do marasmo económico em que se encontra, arriscamo-nos a ter uma campanha à volta de casos de polícia como o de José Sócrates, pela mão do PSD, ou de casos de moral e ética, como este último relacionado com Passos Coelho, pela voz do PS. Em vez de uma campanha em que os projectos políticos mostram as suas diferenças, podemos vir a ter uma campanha que PSD, PS e CDS tentam atirar lama para cima uns dos outros. Os partidos populistas, como o de Marinho Pinho ou os partidos radicais, como o PCP e o Bloco de Esquerda, beneficiarão dessas tácticas.» (daqui)

as ilusões e a realidade

Há uma coisa dá pelo nome de realidade e que é muito diferente da imaginação, dos sonhos e da utopia.

«As ilusões criadas pela esquerda europeia para resolver a crise política, económica e financeira da Europa desaparecem de forma cada vez mais rápida – como se se tratasse de um castelo de cartas gelatinosas que tombam com um ligeiro sopro. Barack Obama nos Estados Unidos, Hollande em França, Matteo Renzi em Itália e Alex Tsipras na Grécia. Todos eles prometeram um novo rumo e uma nova política – e todos eles falharam.» (daqui)

entre o idealismo e o pragmatismo

antonio_costa2«Não se esperavam grandes propostas durante o curto mandato, e compreende-se que António Costa queira reservar a maioria das propostas para mais perto das eleições, mas não se esperava que o seu discurso fosse tão vazio de ideias concretas. O líder do PS está farto de dizer que a política de austeridade não é a solução sem explicar com dados concretos como vai conseguir financiar uma política expansionista de investimento público.

Fala numa mudança política em Bruxelas que permitirá um maior investimento da Europa mas não só os sinais que vemos da Alemanha apontam no sentido contrário como a sua influência para mudar a política europeia será perto de zero. Diz que sempre recusou que a “renegociação da dívida fosse a única e necessária solução”, mas congratulou-se com uma vitória da extrema-esquerda grega que defendia um perdão de dívida, recuando poucos dias depois.

António Costa não está a começar bem a sua caminhada. Continua a ser o principal favorito à vitória nas próximas legislativas mas vai ter de dizer aos portugueses ao que vem e como pretende acabar com a austeridade. Os seus amigos do Syriza estão a fazer a estrada de Damasco e a ceder diariamente nas suas promessas eleitorais face à pressão justa das instituições europeias e da Alemanha – uma pequena prova do que espera António Costa, sendo certo que é mais provável a conversão do líder do PS à austeridade que a de Alexis Tsipras. Tal como foi possível a conversão de Birgitte Nyborg do idealismo ao pragmatismo.» (daqui)

“a podridão moral” das elites

«O caso BES é o culminar de diversos casos que revelaram a podridão moral da elite política, financeira e empresarial. Essas diversas elites vivem da interdependência entre si, da troca de favores entre os seus principais protagonistas, do tráfico de influências e mesmo da pura corrupção que se instalou nos grandes negócios feitos entre o Estado e os privados. Daí António Barreto, um homem habitualmente moderado, ter afirmado ao i no sábado que “gostaria de ver presos (…) alguns banqueiros, empresários, administradores, ex-ministros, ex-secretários-gerais”. Barreto, para horror dessas elites, mais não fez do que verbalizar o sentimento de muitos portugueses que não percebem como é possível o enriquecimento inexplicável de muitos dos protagonistas políticos dos últimos 40 anos, a incompetência manifestada nos contratos das parcerias público-privadas, a construção sem nexo de equipamentos públicos inúteis, repetidos e pornograficamente caros e fora do orçamento previsto ou a promiscuidade quase total entre o Estado e as grandes empresas sempre em prejuízo do erário público.» (daqui)