farto…

NunoMelo«Fica então explicado que quando o PSD e o CDS detinham uma maioria expressa em mandatos, confirmada pública e formalmente no apoio ao Governo da coligação, Jorge Sampaio tenha dissolvido o Parlamento, cinco meses depois de dada posse a Pedro Santana Lopes. Estava farto, farto, farto. E porque estava farto, mandou a Constituição às “urtigas”. Isto é, não demitiu o Governo, pela simples razão de que não podia. E não podendo, como confessado 12 anos mais tarde, fez batota e dissolveu o Parlamento, sem razão objetiva que lhe pudesse ser imputável. Valorizou o capricho. Fê-lo, com a mesma facilidade com que atribuiu condecorações a metro – 2374 em 10 anos, à média de duas por dia – entre elas a Camilo Mortágua, Grande Oficial da Ordem da Liberdade, apesar dos assaltos, apesar das mortes, apesar da LUAR, apesar das ocupações e a Isabel do Carmo, com a mesma Ordem, apesar das Brigadas Revolucionárias e apesar de mais assaltos, em abundantes episódios de vidas cheias que por certo, na avaliação, deixaram Jorge Sampaio eufórico. Entre estados de alma, as coisas passaram-se assim.» (daqui)

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um medronho

Featured image«Na entrevista dada, o secretário-geral do PS não esclareceu em que fruto se reveria. Acredita-se apesar de tudo, sem grande risco de falhar, que pensaria num exuberante medronho, porventura de tom rosado.

A planta que o gera, da família das ericáceas, é dada à ornamentação, logo amiga da aparência. E o fruto presta-se à produção de licores e aguardentes. Embriaga com facilidade e através do efeito ajuda à ilusão, que a realidade impede.

Fica a metáfora fácil, para ilustração de tudo aquilo que Portugal não pode arriscar outra vez.» (daqui)

tudo como dantes

NunoMelo«Reunidos em Congresso, a par de alguns independentes – que também votam PS, claro está – aplaudiram o líder que já empossaram no cargo de Primeiro-ministro, por antecipação.
Indignaram-se com a descrição de casos da vida, que curiosamente se repetem há anos e atravessaram legislaturas, sem que alguma vez lhes tenham dado boa resposta quando tiveram oportunidade. E ao mesmo tempo, comoveram-se com uma leitura pausada do nome de vítimas de violência doméstica – que obviamente merecem a solidariedade sentida de um país inteiro – no que foi tido como uma grande novidade, mas não foi.
Nesta parte, António Costa limitou-se a repetir o que Paulo Portas fizera em 1996 num Congresso do CDS, quando evocou, um a um, os nomes das vítimas da organização terrorista das FP 25 de Abril, responsável por 17 homicídios, 66 atentados e 99 assaltos a bancos, entre 1980 e 1987.
A diferença é que poucos meses antes do Congresso do CDS, os “operacionais” desta organização – assim designados com uma bonomia raramente encontrada noutros casos em que alguém mata premeditadamente um seu semelhante – tinham sido amnistiados. Mário Soares era Presidente da República, António Guterres Primeiro-ministro e António Costa Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. Autores da iniciativa legislativa foram, entre outros, Jorge Lacão e José Magalhães. E por causa da bondade socialista, os criminosos não cumpriram pena.
Como bem lembrou, indignando-se, um Juiz que com enormes riscos pessoais julgou os responsáveis por aqueles assassinatos, “a amnistia tem como consequência o apagamento puro e simples dos crimes cometidos. É como se as pessoas que cometeram esses crimes não tivessem cometido absolutamente nada. (…) Defenderia, quanto muito, um perdão de parte das penas. Porque perdoar é uma coisa, esquecer é outra”.» (daqui)

Destaques da minha autoria.