ser oposição não é (só) pedir demissões

Julgo que a maioria daqueles que seguem os meus textos sabem da minha filiação partidária. Ser-se militante dum partido político significa comungar dos ideais perfilhados, mas ter a frontalidade de discordar de decisões tomadas.

Por isso, tenho uma opinião muito própria sobre o que é fazer oposição num concelho como Almeirim, que tem sido governado por sucessivas maiorias absolutas do Partido Socialista. Fazer oposição não é estar contra tudo. Fazer oposição é, acima de tudo, apresentar alternativas ao actual modelo de governação. É estar contra quando julgamos que os interesses da população estão em causa e é estar a favor quando essa mesma população é beneficiada por uma qualquer decisão política. Este trabalho tem que ser contínuo, inicia-se logo após as eleições e só termina no último dia da campanha eleitoral das eleições seguintes.

Por isso, fazer oposição a uma maioria absoluta que governa os destinos dum município não é estar ausente durante três anos e, de repente, só por causa dum fait-divers do qual se tomou conhecimento por ter sido divulgado na comunicação social local e regional, vir pedir a demissão da vereadora da educação. Isso não passa de oportunismo político! Eu gostaria de ver, da parte da JSD de Almeirim e, principalmente, do PSD de Almeirim, tomadas de posição sobre assuntos de relevante interesse para as populações deste concelho e não sobre assunto de lana caprina.

Não quero com isto dizer que concordo com a atitude da vereadora da educação. Vamos por partes. A cidadã Maria Emília Moreira tem direito à sua opinião sobre qualquer assunto e o facto de ser autarca não a pode diminuir neste aspecto. Mas, a vereadora da educação tem que saber separar os assuntos que fazem parte do seu dia-a-dia enquanto tal e aqueles que pertencem à sua esfera pessoal e familiar. Misturar estes dois tipos de assuntos é sinónimo de trapalhada. A cidadã Maria Emília Moreira pode escrever o que escreveu mas não o deveria ter feito na qualidade de vereadora, não deveria ter usado a sua conta de correio electrónico institucional e não deveria ter afirmado que iria rever a sua posição no seio do executivo municipal quando se tratassem de assuntos relacionados com o União de Almeirim.

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“com ferros mata, com ferros morre”

2016-02-05-mariana-mortagua«Há muitos anos, quando foi apeado do poder de primeiro-ministro Francisco Balsemão, um homem que conhece a comunicação social melhor do que ninguém, ele recordou o velho ditado de que quem com ferros mata, com ferros morre.

É uma verdade que ainda hoje se mantém. Quem vive da imprensa e pela imprensa sem ter verdadeiramente uma base sólida de apoio, mas apenas um suporte baseado em estados de alma de uma burguesia urbana e preconceituosa que se reclama de esquerda, sujeita-se a ser vitimado por movimentos pendulares como o que atingiu Mariana e o Bloco.

O que agora sucedeu ao BE dificilmente acontecerá à instituição que é o PCP, que conta com uma base de apoio efetiva e permanente, ainda que desgastada, e que tem uma experiência política incomparável, além de conhecer bem a mentalidade real dos portugueses. Para Jerónimo de Sousa, o tropeção de Mariana foi uma benesse. Mas para António Costa foi mais do que isso. Na realidade, tratou-se quase de uma bênção divina. Acabou-se a superioridade moral. Doravante, o Bloco é um partido de poder e, pior ainda, de governo. Além do PCP, quem mais pode beneficiar com esse novo estatuto do BE é, objetivamente, António Costa e o seu PS, pois, como é sabido, a generalidade dos peixes grandes alimentam-se dos mais pequenos. É assim na vida do mar e, muitas vezes, no terreno da política.» (daqui)

esquerda e direita

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«Não estou a dizer que esquerda e direita desapareceram. Continuam a existir como polos filosóficos ou referências sentimentais. Mas a crise tirou-lhes relevância política. Sim, António Costa deve ser de esquerda. Depois de mais de trinta anos no Partido Socialista, não pode ser outra coisa. Mas esquerda e direita só fazem politicamente sentido quando há margem para opções, isto é, quando o risco de bancarrota ou de ruptura social não é suficientemente forte para obrigar liberais a aumentar impostos ou socialistas a vender património público (chamando-lhe, é verdade, “activos não estratégicos”).

No Portugal de hoje, já não há direita e esquerda, mas apenas governo e oposição, ou seja: de um lado, aqueles que, no governo, têm de se reger pelo dinheiro e pela despesa que há; e do outro, os que, na oposição, podem fingir que não tem de ser assim.» (daqui)