a nova austeridade

helena-garrido«As já décadas de acompanhamento do Orçamento do Estado permitem concluir que é praticamente impossível que o PCP e mesmo o Bloco ignorassem a estratégia que o Governo estava a seguir. Se não o soubessem por via da análise do Orçamento do Estado – o PCP sempre teve excelentes deputados a analisar o Orçamento – tiveram com certeza conhecimento dos apertos financeiros dos serviços através de militantes ou simpatizantes. Quiseram também eles que a austeridade fosse escondida, como querem que se mantenha escondida toda a estratégia europeia do Governo nas matérias a que oficialmente se opõem.

A política da austeridade escondida altamente ameaçadora dos serviços públicos foi prosseguida pelo Governo mas teve a cumplicidade do PCP e do Bloco de Esquerda. Podem hoje competir pelo pódio de quem defendeu mais a reposição dos rendimentos mas todos estão a ser responsáveis pelo risco a que expuseram os serviços públicos. É aliás extraordinário que aqueles que dizem defender o Estado sejam os que mais o põem em causa.» (daqui)

Neste momento resta-nos apenas desejar que não aconteçam outras tragédias.

Anúncios

o “monstro” continua aí

nuno-botelho«A moderação, infelizmente, só não se aplica ao campo da fiscalidade. Os contribuintes voltam a ser as maiores vítimas do Orçamento. Porque há aumento de impostos indiretos, porque se confirma o “novo” IMI, porque se mantém a sobretaxa no IRS, porque se aumenta a carga para as empresas (designadamente, agravando todos os impostos que têm a ver com transportes), porque se criam novas taxas e derivadas novas de taxas antigas. Estamos entre o saque fiscal e a chaga fiscal. Já muito perto, como digo, do limite em que o Estado fará o favor de nos dotar de uma mesada, parcimoniosamente descontada aos rendimentos do nosso trabalho.

O “monstro” está portanto aí. Cada vez mais gordo, mais inchado e mais sôfrego. A culpa não é só de Bruxelas nem decorre única e exclusivamente de Sócrates e da bancarrota. Enquanto quisermos ter uma semana de 35 horas de trabalho, feriados devolvidos, reversão de medidas de contenção da despesa e anulação de concessões de empresas públicas, vamos continuar a pagar muitos e elevadíssimos impostos. Enquanto não houver uma verdadeira reforma do Estado – moralizando e emagrecendo, estabelecendo prioridades e objetivos, simplificando procedimentos e descentralizando recursos -, estaremos eternamente condenados a alimentá-lo.» (daqui)